Vista aérea da pista Olimpíca do BMX de Londres

Em 29 de junho de 2003, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou a decisão de incluir o ciclismo BMX no programa olímpico a partir dos Jogos de Pequim/2008. Passados 4.605 dias desde então, os atletas brasileiros da modalidade seguem sem ter nenhum local no País para treinar. Faltando 547 dias para os Jogos do Rio/2016, o Brasil não tem nenhuma pista de BMX Supercross.

Atualmente, duas estão em construção, de acordo com o Ministério do Esporte: a que será utilizada nos Jogos do Rio/2016, em Deodoro, no Rio, e uma no Centro de Formação Olímpica do Nordeste, em Fortaleza (CE). Enquanto isso, aquela que era para ser a primeira do País, ainda parece longe de sair do papel.

Isso porque a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) faz questão de ter uma pista em Londrina (PR), onde fica sua sede. Em 2010, a prefeitura local e o Ministério do Esporte firmaram o primeiro convênio para a construção de uma pista, no valor de R$ 341 mil. Problemas das mais diversas ordens, entretanto, atrasaram a obra em mais de três anos.

Os planos, então, mudaram. Em novembro de 2013, um novo convênio foi assinado com a promessa de entregar o agora Centro de Treinamento do BMX em maio de 2014, a tempo de realizar ali o Campeonato Pan-Americano – o evento entrou no calendário da União Ciclística Internacional (UCI). Passados 14 meses, nenhum saco de areia foi deslocado – o Pan acabou sendo realizado no Equador.

De acordo com o governo, R$ 621 mil já estão na conta da prefeitura de Londrina, mas o órgão municipal ainda não começou a obra – que deve levar 120 dias para ficar pronta. “Nós já publicamos várias licitações, no fim do ano passado acho que foi a quarta. Mudamos o preço, mas todas as concorrências ficaram desertas”, explicou Márcia de Souza Uwai, gerente de orçamento do Departamento de Obras de Londrina.

O orçamento de pouco mais de R$ 1 milhão não atrai grandes empreiteiras, enquanto as construtoras médias e pequenas do norte do Paraná não têm interesse em se arriscar em uma obra para a qual ninguém tem conhecimento técnico. Atualmente, segundo Uwai, a prefeitura estuda mudar o regime de contratação, dispensando licitação, mas ainda não encontrou quem se interesse. O ministério, entretanto, garante que a licitação já foi realizada e que a obra deve ser concluída este ano.

A confederação, maior interessada que a obra fique pronta logo, minimiza o problema e diz que “não existem prejuízos técnicos” pela falta de uma pista de BMX no País. A entidade chega a afirmar que o “O Brasil conta hoje com diversas pistas para a prática do BMX”, fazendo referência às pistas de bicicross, populares especialmente no interior de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

As diferenças entre o bicicross e o supercross, porém, são enormes e vão desde a velocidade (25% maior), até a altura do gate de largada (60% mais alto), passando pelo cumprimento do percurso e pelo nível de dificuldade dos obstáculos. Não à toa, os atletas traçam um paralelo entre tênis e tênis de mesa quando comparam BMX e bicicross.

A falta de pistas no País fecha a porta para que novos atletas busquem espaço, como confirma a CBC. “Os atletas do alto rendimento que necessitam treinar e competir em uma pista de supercross estão sendo contemplados no projeto de intercâmbio da CBC e estão podendo utilizar toda a estrutura necessária utilizada nos principais centros mundiais de treinamentos”. Para a entidade, só quatro atletas do País precisam treinar e competir em uma pista de supercross, ainda que todos os eventos do calendário mundial sejam realizados em circuitos deste tipo.

Nesta semana, três atletas da seleção se uniram a Renato Rezende em Chula Vista, nos Estados Unidos, onde o principal ciclista do País já mora desde o ano passado. Os quatro, acompanhados de técnico, fisioterapeuta e mecânico, ficarão todo o primeiro semestre lá. Quem fica no Brasil, entretanto, não tem, nem de longe, a mesma estrutura. O próprio Renato admite que sua carreira mudou da água para o vinho quando teve a oportunidade de treinar em pistas de BMX, primeiro na Suíça (na sede da UCI), depois na Argentina (onde ele se preparou para os Jogos de Londres).

O Ministério do Esporte faz questão de destacar que, apesar dos problemas em Londrina, outras duas obras devem ser entregues ainda em 2015 – doze anos depois de o BMX se tornar olímpico, portanto. A pista de Fortaleza deve ficar pronta no primeiro semestre e a da Deodoro deve ser usada para um evento-teste na segunda metade do ano.

(Estadão Conteúdo)

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