ILUSTRAÇÂO ELSON SOUTO

Essa constatação pode estar diretamente ligada ao aumento de jovens infectados pelo vírus HIV e a queda na procura por preservativos 

Conforme os dados divulgados pelo Ministério da Saúde no Dia Mundial de Combate à Aids, nos últimos seis anos, a taxa de contaminação aumentou cerca de 68% entre os jovens de 16 a 24 anos no Brasil. Conforme estimativas feitas pelo Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e hepatites virais há cerca de 720 mil brasileiros infectados pelo vírus HIV/Aids no País. Se levarmos em consideração o acumulado das estatísticas a partir do ano de 1980 chegamos aos seguintes números: 686.478 casos de Aids, dos quais 445.197 (64,9%) são do sexo masculino e 241.223 (35,1%) do sexo feminino. Do total de casos registrados entre 1980 e junho de 2013, 379.045 (55,2%) são da Região Sudeste; 137.126 (20,0%) da Região Sul; 95.516 (13,9%) da Região Nordeste; 39.691 (5,8%) da Região Centro-Oeste; e 35.100 (5,1%) da Região Norte.

Em Goiás, conforme dados divulgados pelo Boletim Epidemiológico HIV/Aids do Estado de Goiás 2014, 8.032 casos já foram notificados desde 2002 até o último ano. E desde a descoberta do primeiro caso no Estado, ocorrida no ano de 1984, já foram constatados 4.489 óbitos causados pelo vírus.

Já relacionado à exposição dos casos de Aids em indivíduos no período analisado, os heterossexuais foram os mais afetados com 53,7%(4316) dos casos. Em seguida, os homossexuais 15,8% (1270); bissexuais 4,7% (378); usuários de drogas 2,2% (178); transmissão vertical 0,2%(14); transfusão 0,1% (8); hemofílicos 0,04% (3) e ignorados 23,2% (1865).

“A epidemia da Aids no Estado tem sido expressiva entre a população de adultos jovens e economicamente ativos. Ainda, é representativo a elevação no percentual de casos em indivíduos idosos, que de 2000 para 2013 teve um aumento de 700% passando de cinco casos para 36 casos respectivamente, ratificando a necessidade de implementação de ações direcionadas a essa importante parcela da população, que possui características intrínsecas e extrínsecas que elevam a vulnerabilidade para a aquisição e disseminação de agentes de transmissão sexual.” Afirma o relatório Boletim Epidemiológico HIV/Aids do Estado de Goiás 2014.

 

soropositivos

Outro dado que deve ser levado em consideração é em relação à procura de preservativos, por parte dos brasileiros, houve queda. A pesquisa realizada pela Drogaria Nova Esperança aponta que a procura por preservativos no País caiu cerca de 14%, um dado que pode estar diretamente ligado ao aumento no percentual de jovens soropositivos.

Devido a essas estatísticas, a reportagem do Diário da Manhã conversou com Marcos Antonio Ribeiro, que é técnico da coordenação de DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde (SES) para saber a real situação do processo de distribuição de preservativos no estado. Marcos Antonio explica que os preservativos são direcionados para 17 regionais distribuídas pelo Estado e depois seguem para os municípios. “A secretaria libera, mensalmente, para as regionais distribuírem para os municípios o gel lubrificante, os preservativos masculinos e femininos, que está em falta atualmente.”

Para Marcos Antonio, a realidade de distribuição varia muito em relação ao tamanho dos municípios, assim como a procura pelos preservativos. O técnico do departamento ainda explica que a média mensal de distribuição de preservativos é de 600 mil a 900 mil por mês, sendo que em períodos de campanha esse total supera 1 milhão de unidades. “Temos quatro campanhas durante o ano. Uma em dezembro, que dia primeiro é o dia Mundial de Combate a Aids. A campanha de carnaval, no mês de julho devido as férias e em outubro por conta da campanha de combate à sífilis.”

O membro da SES ainda ressalta as dificuldades encontradas no âmbito da conscientização nas escolas. “Enfrentamos dificuldades em relação à conscientização por conta do tabu da sexualidade principalmente nas escolas. Fator que prejudica o trabalho, pois pessoas acham que a conscientização irá estimular o sexo, o que não é verdade.”

 

Goiânia

A reportagem do DM também conversou com a chefe da Divisão de Doenças Transmissíveis Crônicas do município de Goiânia, Ana Cecília Coelho, sobre a situação na Capital. Para Ana Cecília, nos três últimos anos tem sido constatado o consumo regular de preservativos, em Goiânia. “Hoje, não temos mais o controle de quem pega os preservativos, pois os cadastros inibiam as pessoas. Hoje, são colocados em displays com o livre acesso e sem quantidade limite. Mas percebemos que a quantidade de consumo tem se mantido equilibrada nos últimos três anos.”

Relacionado as campanhas de conscientização feitas pela Secretaria Municipal de Saúde (SES), Ana Cecília explica que estão em andamento. A responsável ainda diz que, atualmente, o principal foco, está na campanha “Fique Sabendo” que disponibiliza o teste rápido de sífilis e HIV para a população. Flyers também são distribuídos no intuito de conscientizar as pessoas de como se prevenirem das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST).

 

Estado

A secretária de Saúde do Estado de Goiás emitiu nota para esclarecer a real situação que ocorre no estado, a qual afirma: “Observa-se no entanto pouca distribuição e ou procura desse insumo nos municípios goianos.”

A publicação ressalta a importância do uso do preservativo no combate ao HIV/Aids e explica as principais ações tomadas pelo governo do Estado. “O Estado tem desempenhado seu papel de aquisição e distribuição dos insumos (preservativos e géis lubrificantes). Só de janeiro a novembro de 2014, o Estado distribuiu cerca de 7 milhões de preservativos. Cabe aos municípios a distribuição e execução de campanhas para que a adesão ao uso do preservativo seja incorporado no comportamento sexual, aumentando com isso, a procura do preservativo pela população nas unidades de saúde. A distribuição dos preservativos depende do quantitativo da população sexualmente ativa municipal, bem como do quantitativo presente em estoque.”

 

Ministério da Saúde

Em entrevista concedida ao Diário da Manhã, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que o crescimento da Aids na população jovem brasileira não se trata de algo exclusivo de nosso País. “O crescimento da aids entre jovens não é um fenômeno exclusivo do País, mas caraterístico dos países que como o Brasil têm epidemia considerada concentrada em populações de risco acrescido com vulnerabilidade.”

Chioro ainda ressalta que as campanhas terão estratégias voltadas a juventude. “A estratégia deste ano prevê a continuidade da campanha, com adaptações, para festas populares, como carnaval e outros eventos, durante todo o próximo ano. Além disso, o ministério desenvolve em conjunto com as secretarias estaduais e municipais de saúde ações e campanhas regionais e municipais por ocasião de eventos específicos destinados à juventude, como shows e festas regionais.”

 

HDT já tem medicamento 3 em 1 para pacientes

O Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA) foi uma das unidades que já recebeu a combinação dos medicamentos tenofovir (300 mg), lamivudina (300 mg) e efavirenz (600 mg) em um único comprimido.

O Ministério da Saúde enviou o medicamento 3 em 1 para o tratamento de pacientes com HIV/Aids.

O uso do medicamento 3 em 1 está previsto no Protocolo Clínico de Tratamento de Adultos com HIV/Aids do Ministério da Saúde como tratamento inicial para os pacientes soropositivos e deve beneficiar 100 mil novos pacientes em todo o País. Atualmente, os medicamentos são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e consumidos separadamente.

Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, a dose fixa combinada (3 em 1) representa um avanço importante na melhoria do acesso ao tratamento de HIV/Aids no País, uma vez que permitirá uma melhor adesão ao tratamento de pessoas que vivem com a doença. Além de ser de fácil ingestão, o novo medicamento tem como grande vantagem a boa tolerância pelo paciente, já que significa a redução de três comprimidos para apenas um comprimido por dia.

De acordo com a coordenadora do Setor de Farmácia do HDT/HAA, Mara Cristina Sampaio, o novo medicamento 3 em 1 começou a ser distribuído pela Farmácia Ambulatorial do hospital desde segunda-feira, dia 26 de janeiro.

A farmacêutica salienta que o medicamento 3 em 1 será disponibilizado, a princípio, somente para os pacientes que vão iniciar o tratamento. Posteriormente, as unidades de saúde receberão quantitativo de medicamentos suficiente para abarcar todos os pacientes em uso deste esquema terapêutico.

DST no Brasil

 

As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são consideradas como um dos problemas de saúde pública mais comuns em todo o mundo. Em ambos os sexos, tornam o organismo mais vulnerável a outras doenças, inclusive a aids, além de terem relação com a mortalidade materna e infantil. No Brasil, as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) de infecções de transmissão sexual na população sexualmente ativa, a cada ano, são:

 

  • Sífilis: 937.000
  • Gonorreia: 1.541.800
  • Clamídia: 1.967.200
  • Herpes genital: 640.900
  • HPV: 685.400

 

Desde 1986, a notificação de casos de aids e sífilis é obrigatória a médicos e responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e particulares de saúde, seguindo recomendações do Ministério da Saúde. Com as mesmas orientações, o registro de HIV em gestantes e recém-nascidos tornou-se obrigatório desde 2000.

 

Fonte: http://www.aids.gov.br

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