Doença que ataca o sistema imunológico responsável por defender o organismo de doenças, a Aids afeta 794 pessoas no Ceará. Destas, 52% estão em Fortaleza (414). Um dado que chama a atenção é que 23, dos 184 municípios cearenses, concentram 81% dos casos (646). As cidades de maior população e com zona industrial, de comércio ou turismo mais desenvolvido são, frequentemente, as que aglomeram maior número de registros da doença. É o que aponta a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), no Informe Epidemiológico Aids, de janeiro deste ano.

Depois de Fortaleza, Sobral é o município com mais notificações de Aids (37), seguido de Maracanaú (32), Caucaia (30), Aquiraz (14), Pacajus (12), Iguatu (10), Russas (9), Maranguape (7), Horizonte (7), Canindé (7), Itapipoca (7), Aracati (7), Jaguaribe (6), Cascavel (6), Santa Quitéria (6), São Gonçalo do Amarante (5), Paracuru (5), Acaraú (5), Tauá (5), Camocim (5), Beberibe (5) e Pindoretama (5).

Desde 1983, quando o primeiro caso da doença foi notificado no Ceará, 93% dos municípios já registraram pelo menos um caso da doença. De lá para cá, 14.732 casos de Aids já foram notificados em todo o Estado. A partir de 2013, observa-se um crescimento no número de casos da doença entre pessoas acima de 50 anos e entre adolescentes na faixa etária de 15 a 19 anos.

Incremento

Fabiana Sales, coordenadora da área técnica de DSTs e hepatites virais da Secretaria de Saúde do Município (SMS), salienta que ter o vírus HIV não é a mesma coisa que ter Aids – já que há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença, mas podendo transmitir o vírus. Dessa forma, para estimar o número da pessoas com HIV, é preciso fazer um incremento de 25%.

Para reduzir o número de casos, a gestora informa que o município tem investido no diagnóstico precoce, descentralizando a testagem rápida. Antes, era feito só pelo método convencional. “A gente segue uma política nacional de que quanto mais cedo for feito o diagnóstico, menos complicação a pessoa vai ter”.

Apesar de não ter cura e ser considerada uma doença crônica, Fabiana esclarece que existe tratamento e controle da Aids, por isso a importância do diagnóstico adiantado. “Quanto mais cedo a pessoa descobre que tem o vírus, melhor, pois já inicia o tratamento e, dependendo da adesão, o risco de ele adoecer é bem menor”, reforça. Ela acrescenta que a maior parte dos diagnósticos são feitos quando a pessoa ainda é assintomática. “Descobrindo precocemente, a qualidade de vida dela será maior”.

Exames serão realizados  no Centro

Agora adotada como método de prevenção contra a Aids, a testagem rápida para o vírus HIV será feita no próximo dia 7 de fevereiro, das 8h às 13h, na Praça do Ferreira, Centro da cidade. Adolescentes e jovens de 15 a 24 anos, população-alvo da atual campanha de prevenção do Ministério da Saúde, mulheres casadas que nunca realizaram exames, trabalhadoras do sexo e a população que tem dificuldade de ir a um posto de saúde podem se programar para fazer o teste antes do Carnaval.

Na nova campanha para o controle da Aids, lançada em 1º de dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde apresenta pela primeira vez a estratégia de prevenir, testar e tratar, com foco no público jovem.

Notificação

Apesar do quantitativo apresentado no boletim da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Telma Martins, assessora técnica do Núcleo de Prevenção e Controle de Doenças e Agravos do órgão, lembra que, como nem sempre a notificação é imediata, os números podem ser maiores. Ela acrescenta que o que está sendo registrado é o número de pessoas doentes e não infectadas. O HIV passou a ser de notificação compulsória em dezembro de 2014.

Fique por dentro

Testes rápidos dão resultados minutos depois

A Aids é uma doença causada pelo vírus HIV, transmitida através da troca de secreções (sangue, esperma, secreção vaginal e leite materno) entre uma pessoa infectada e outra sadia, em situações como relações sexuais desprotegidas ou transfusões de sangue. Por isso, hábitos simples como o uso do preservativo durante o sexo e a utilização de seringas e agulhas descartáveis são a melhor forma para evitar a transmissão do vírus.

O teste rápido é feito a partir da coleta de uma pequena quantidade de sangue da ponta do dedo. Os exames, colocados em um dispositivo de teste, dão o resultado minutos depois. Dependendo do diagnóstico, os encaminhamentos para os serviços de atendimento em DSTs já são feitos na hora. O resultado tem a mesma confiabilidade dos testes convencionais e não há necessidade de repetição em laboratório.

O exame de Aids não deve ser feito de forma indiscriminada e a todo o momento. O aconselhável é que faça quem tenha passado por uma situação de risco, como ter feito sexo desprotegido. Após a infecção pelo HIV, o sistema imunológico demora cerca de um mês para produzir anticorpos em quantidade suficiente para serem detectados.

(Luana Lima, Repórter – Diário do Nordeste)

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