Lamentavelmente, o tenebroso e violento assassinato da turista italiana, Gaia Barbara Molinari, em Jericoacoara tem chamado menos atenção do que a decisão de manter temporariamente presa a farmacêutica carioca, Mirian França de Melo. A prisão temporária foi concedida pela Justiça a pedido da delegada Patrícia Bezerra, que alegou haver contradições no depoimento de Mirian.

 

Mirian é negra. Este fato foi o suficiente para mobilizar um movimento pela libertação da carioca sob o seguinte argumento: a prisão teria se dado somente em função da cor da pele. Por esse raciocínio, se Miriam fosse branca nem o pedido de prisão e nem a decisão judicial que o acatou se efetivariam. Dessa forma, tanto a delegada quanto o juiz que acatou o pedido de prisão temporária seriam racistas.

 

Tanto a delegada quanto o Judiciário não podem se intimidar por este tipo de pressão. A investigação precisa ser absolutamente técnica e não se submeter a qualquer tipo de patrulha. A questão subjacente é mais importante. No caso, o brutal assassinato em um paraíso turístico do Ceará. Como ocorre em todo o Ceará, os casos de violência em Jericoacoara têm sido crescentes.

 

Em 2011, foi notícia aqui e na imprensa do Sudeste a mobilização de moradores do mais cultuado destino turístico do Ceará contra a escalada da violência no local. À época, já eram muitos os relatos de estupros e abusos sexuais contra moradores e visitantes. Um caso em especial ganhou repercussão.

 

Em 1º de julho daquele ano, por volta de 22h, dois casais de adolescentes, com idades entre 16 e 17 anos, foram rendidos por três homens armados com facas na Duna do Pôr do Sol. Os quatro foram levados pelos criminosos a um local conhecido como Sítio. Os rapazes foram amarrados, despidos e espancados. As garotas, além de estupradas, tiveram os cabelos cortados.

 

Agora, o assassinato de Gaia ganhou repercussão internacional. Além da tragédia que tirou a vida de uma jovem, o fato pode ser visto como o mais duro golpe no turismo do Ceará. Que a investigação seja rigorosa e chegue rápido ao(s) autor(es) do crime. Sem que se importe com a cor da pele.

(O Povo Online)

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