Motivado por diversas denúncias e processos que dizem respeito à falta de medicamentos, leitos e profissionais na rede de saúde de Fortaleza, oMinistério Público do Estado do Ceará (MP) vai solicitar ao Ministério da Saúde uma auditoria de gestão na Secretaria Municipal da Saúde (SMS). A informação é da promotora Isabel Pôrto.

A titular da Promotoria de Defesa da Saúde Pública do MP esteve ontem em audiência pública que discutiu a situação dos Frotinhas da Parangaba, Messejana e do Antônio Bezerra. A reunião foi realizada em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE).

Os gestores das três unidades admitiram dificuldades no suprimento de medicamentos e, em especial, na organização das escalas dos profissionais. Segundo os diretores, há carência de especialidades como traumatologia, anestesiologia e clínica geral. Já a falta de medicamentos é causada, entre outros fatores, pela não entrega por fornecedores e pela lei de licitação – que seria defasada, reclamam.

Conforme o titular da Coordenadoria de Hospitais e Unidades Especializadas (Cohes) de Fortaleza, da SMS, Francisco Pereira de Alencar, que participou da audiência pública, os hospitais devem atuar em rede e, muitas vezes, pedir e fazer “empréstimos” de medicamentos que não estejam disponíveis, para não comprometer o atendimento.

De acordo com Alencar, há a expectativa de que 2015 seja um ano de mais investimentos na atenção secundária da Capital, uma vez que os dois primeiros anos da gestão Roberto Cláudio (Pros) tiveram foco na atenção primária – com reforma de postos, por exemplo.

Carências

Mesmo que haja mais investimentos na rede secundária, o cenário apontado por conselheiros da saúde e sindicatos das categorias que atuam na área é de falta de planejamento, precarização das relações de trabalho, terceirização e falta de diálogo e de atenção ao controle social. 

Médicos que atendem nos Gonzaguinhas também compareceram e alertaram para a falta de medicamentos básicos para centro cirúrgico. Os médicos apontaram que as faltas são permanentes e que médicos não recebem os salários há dois meses.

Além da solicitação ao Ministério da Saúde, entre os encaminhamentos e compromissos assumidos pela SMS na audiência estão a verificação das deficiências de material médico-hospitalar e medicamentos e das denúncias formalizadas. Ficou acertado ainda que a SMS apresentará relatório ao MP sobre os encaminhamentos em 15 dias.

(Samaísa dos Anjos, O Povo)