O Conselho de Ética do PMDB abriu processo disciplinar contra quatro filiados por infidelidade partidária. O vereador de Fortaleza Carlos Mesquita, a vice-prefeita de Barbalha, Betilde Correia, e os prefeitos de Nova Russas, Gonçalo Diogo, e Santa Quitéria, Fabiano Mesquita, são acusados de descumprimento de determinação partidária por, supostamente, não terem apoiado o candidato do partido a governador, Eunício Oliveira. Caso sejam condenados, as punições irão desde advertência até expulsão do partido. 

“Nós recebemos a denúncia encaminhada por membros do partido, de infidelidade partidária e descumprimento das normas do PMDB”, disse Gaudêncio Lucena, vice-prefeito de Fortaleza e vice-presidente estadual da sigla. O dirigente afirma que todos os acusados “terão direito à defesa e ao amplo contraditório”. Segundo o peemedebista, ainda haverá muitos outros processos semelhantes nos próximos meses.

No caso de ser aplicada a pena máxima – a expulsão – o partido também deve buscar na Justiça os respectivos mandatos ocupados pelos filiados, também com o argumento de infidelidade partidária.

Procurado pelo O POVO, o vereador Carlos Mesquita afirmou que ainda não havia sido notificado do processo. Segundo ele, a motivação para a iniciativa é perseguição política por parte de Gaudêncio. “Eu nunca fui infiel ao PMDB”. Ele disse lamentar a suposta atitude “revanchista” dentro da legenda, mas declarou que pretende permanecer no partido.

“O Gaudêncio pode ter todo o dinheiro do mundo, ele vai ficar sentado no monte de dinheiro dele, igual ao Tio Patinhas, mas ele não vai me comprar”. Gaudêncio nega as acusações, e afirma que, como presidente em exercício do PMDB, apenas recebe as denúncias e encaminha a Comissão de Ética. “Nem da Comissão eu faço parte”, eximiu-se. A reportagem não conseguiu entrar em contato com Betilde Correia, Gonçalo Diogo e Fabiano Mesquita. 

Oposição

Desde a derrota do senador Eunício Oliveira e da ida do PMDB para a oposição, a legenda tem anunciado que punirá os filiados que permaneceram ao lado do candidato vencedor da disputa, Camilo Santana (PT). “Aquele parlamentar que for cooptado e quiser fazer parte do governo nós vamos brigar para que ele perca seu mandato na Justiça. A legislação eleitoral exige fidelidade partidária e nós vamos fazer valer isso”, disse Eunício, que também é presidente estadual da sigla, no fim de outubro. 

Entretanto, diversos membros da legenda demonstraram resistência em abraçar “oposição propositiva” defendida por Eunício, conforme foi publicado pelo O POVO no começo de novembro.

“Eu não vou fazer oposição não, e já conversei com alguns deputados e eles não estão com disposição em fazer oposição, talvez com exceção só do Danniel Oliveira (deputado estadual, sobrinho de Eunício)”, declarou Aníbal Gomes, deputado federal do partido. Ele chegou a ironizar a possibilidade de punição. “Você acha que um partido grande como o PMDB, que tomou posturas diferentes em vários estados, vai cobrar fidelidade?”, indagou.

(Renato Sousa, O Povo)

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