Em dez anos, a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) teve o segundo melhor crescimento do País no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). A variação de 17,7% é menor apenas que o avanço da Região Metropolitana de Manaus (23%), no comparativo entre 2000 e 2010. Ainda assim, a Grande Fortaleza mantém, como no ano 2000, o terceiro pior índice do Brasil (0,732), à frente apenas de Belém e Manaus.

O estudo, parte do Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, foi divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Fundação João Pinheiro e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Em 2000, o IDHM da RMF era 0,622, índice categorizado como médio. Dez anos depois, a maior região do Ceará alcançou a marca de Alto Desenvolvimento Humano. Para a avaliação, são levados em conta indicadores de educação, longevidade e renda.

Outras quatro regiões metropolitanas, todas no Nordeste, tiveram crescimento na casa dos 17%. O avanço segue o padrão do Brasil, que registrou aumentos mais expressivos nas regiões em que há índices mais baixos.

Coordenador do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) da Universidade Federal do Ceará (UFC), João Mário de França analisa que os avanços indicam que há, na prática, melhoria de vida da população da RMF, mas que ainda são necessários crescimentos mais significativos. “Este não é um número ruim. Está mais próximo do um (nota máxima da avaliação). Mas, na média do País, ainda está muito baixo. É preciso melhorar pra ficar mais razoável no comparativo”.

Segundo ele, tanto escolaridade quanto saúde (que se traduz em longevidade) ainda têm “precariedades” na RMF.

Para o titular da Secretaria Municipal de Trabalho, Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Setra), Claúdio Ricardo Lima, muito do avanço se deve ao incremento de políticas públicas nas áreas sociais, como programas de transferência de renda e acompanhamento escolar. “Precisamos ter continuidade com essas políticas que visam redução da pobreza”. No âmbito da escolaridade, ele cita, Fortaleza tem 97% das crianças matriculadas, mas a qualidade do ensino ainda desafia.

Segundo o secretário, é necessário aproveitar o momento econômico para investir na área social. É uma grande disparidade, compara, que o País seja a 7ª maior economia do mundo, mas tenha apenas o 79º IDH. Isso se reflete nos índices em recortes menores. “Isso só mostra que a concentração (de renda) é muito prejudicial. É nesse momento em que o Estado tem de ter o poder equalizador”, defende.

Saiba mais

O índice de Desenvolvimento

Humano Municipal (IDHM) é produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pela Fundação João Pinheiro e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

O IDHM compreende indicadores de três dimensões: longevidade, educação e renda. Quanto mais próximo de um, maior é o desenvolvimento humano. 

Dezesseis regiões metropolitanas foram pesquisadas.

Todas as regiões estão na faixa de alto IDHM, com médias acima de 0,700.

Apesar do crescimento, o IDHM da Região Metropolitana de Fortaleza permanece na 14ª posição desde 2000. 

A diferença no ritmo de evolução do IDHM nas regiões metropolitanas acarretou uma troca nas primeiras posições. 

Em comparação com o ano 2000, Rio de Janeiro e Porto Alegre deixaram de figurar entre as cinco regiões metropolitanas com maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, dando lugar ao Distrito Federal a Vitória.

(Mariana Freire, O Povo)