As empresas que atuam com operações de comércio exterior com o Banco do Brasil a partir do Ceará não terão mais o suporte da Gerência Regional de Apoio ao Comércio Exterior (Gecex), que atende, até hoje, em um andar inteiro no Edifício Etevaldo Nogueira Business, na Avenida Dom Luís. Agora, elas terão que se reportar ao BB em Belo Horizonte (MG) e Recife (PE).

O POVO teve acesso ao comunicado feito pela Gecex aos clientes. Nele, consta que Ceará e Piauí passarão a ser atendidos nos aspectos de assessoria e consultoria da Cecex em Recife. Para cotação e contratação de câmbio via mesa (fechamento de câmbio presencial e manual), será em Belo Horizonte.

“Documentos originais de operações com carta de crédito e cobrança documentária de exportação deverão ser encaminhados via Courier ou Sedex para a Gecex Recife. Para as operações de importação negociadas na modalidade de cobrança de importação, os fornecedores e banqueiros no exterior deverão ser instruídos a encaminhar os documentos também para o endereço acima (Gecex Recife)”, diz o comunicado.

Fellipe Calado, agente de Logística Internacional da Itaueira, ressalta que o novo modelo vai implicar aumento de custos. “Só vale o dólar do dia em que a informação foi processada. Vou ter que me preocupar com o dólar variando de 7 a 10 dias úteis. Corro risco de entrar em uma variação de até R$ 0,20”.

Para Fellipe, o conhecimento de cada empresa conta para resolução de problemas de forma célere. “É humanamente impossível agilizar situações para diversos processos sem conhecer as empresas. Isso interfere até na negociação com clientes”, preocupa-se.

Outra preocupação é em relação à importação. O produto só é liberado no porto depois do pagamento. “Vou ter que contratar uma empresa terceirizada, usando a procuração em meu nome, para retirar os documentos lá em Belo Horizonte e enviar via correios”, diz Fellipe.

Conforme o presidente da Comissão de Comércio Exterior do Ceará (CCE-CE), Roberto Marinho, o Ceará tem 180 indústrias exportadoras, que foram responsáveis por US$ 1,4 bilhão exportado em 2013 no Estado. Do total, sete são grandes empresas, 18 médias e 155 micro e pequenas. Segundo Marinho, a maior parte opera via BB e será afetada diretamente.

“Dá para migrar algumas operações para outros bancos. Mas, por exemplo, a emissão de certificado de origem, só o Banco do Brasil faz.” Como documento, quem importa do Brasil tem incentivo fiscal para receber o produto.

A gestora do projeto de internacionalização das MPE do Sebrae-CE, Marta Campêlo, diz que vai participar hoje de reunião, junto com a CCE-CE, na Cecex. Serão recebidos pelo então gerente Fabiano Pistoia Oliveira . O encontro vai tratar das mudanças.

O POVO procurou o Banco do Brasil para falar sobre o assunto. Não houve retorno até o fechamento desta edição.

(Andreh Jonathas, O Povo)

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