FOTO MERAMENTE ILUSTRATIVA

Chamar o bom velhinho de “querido” é de praxe. Quase sempre os escritos com a letra muito infantil começam assim. Alguns dizem logo a que vierem: pedem bola, boneca, bicicleta e tablet. Outros, como os de Alan Silva Moreira, 11, contam um pouquinho da vida para amolecer o coração do Papai Noel. “Disse a ele que sou um menino bom e um pouquinho nervoso, que nasci bem, depois adoeci e fiquei cego. Contei tudo pro Papai Noel entender que estou pedindo a mochila de rodinhas porque os livros em braile são pesados”, justifica-se.

Alan, estudante do Instituto Hélio Góes, é autor de uma das 6,5 mil cartas de crianças cearenses participantes da campanha Papai Noel dos Correios. Lançada ontem no Ceará, a edição deste ano recebe, até o dia 6 de dezembro, apadrinhamento para os desejos das crianças. A campanha, que este ano completa 25 anos, integra nesta edição, além de seis agências de Fortaleza (Central, Iguatemi, Aldeota, Alencarina, Barão de Studart e Parangaba), uma agência de Juazeiro do Norte, na Região do Cariri.

 

As cartas foram escritas por crianças de 100 escolas públicas e de 12 instituições como a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), a Associação Peter Pan e a Sociedade de Assistência aos Cegos.

 

O secretário da Educação de Fortaleza, Joaquim Aristides de Oliveira, comenta que a parceria entre os Correios e a rede pública é importante porque ajuda as crianças a desenvolverem a habilidade da redação de carta. Além de promover o espírito natalino. “É o tipo de iniciativa que forma uma espécie de corrente do bem e estimula os alunos a escreverem, ajudando a alfabetizá-los”, lembra.

 

Escrever a carta foi uma das partes do processo de que Alan mais gostou. Estimulado pelos professores, o menino escreveu em braile a cartinha e pediu para mãe reescrevê-la para que o Papai Noel compreendesse. Endereçada ao velhinho do Polo Norte, a carta de Alan foi lida, cadastrada e está disponível para adoção. Porque, algumas vezes, o “homem de coração puro, alma boa, gorro e barbucha bem grande”, como define Alan, tem alguns ajudantes. “O ajudante pode ser o pai, a mãe, um desconhecido que encontrar a cartinha ou até o nosso coração, que faz a gente acreditar no Natal todos os anos”, poetiza o menino.

 

Os Correios lembram que quem adotar uma carta deve entregar o presente, no prazo, no mesmo local em que teve acesso aos escritos. A empresa se responsabiliza pela entrega para a criança.

 

Solidariedade

Para o diretor regional dos Correios no Ceará, Francisco Haroldo Aragão Filho, a campanha, para além dos presentes que chegam para as crianças, trata da magia do Natal. “A campanha faz a nossa cidade, que às vezes parece apartada, dar as mãos. Com o projeto, a gente cria esperança, incentiva a solidariedade, cria fraternidades”, destaca. No ano passado, foram presenteadas, no Ceará, 5.227 crianças das 7.426 que escreveram ao Papai Noel.

 

A promotora de marketing Gescica Amanda, 26, foi uma das primeiras a adotarem cartinhas ontem, na Agência Central, no Centro. Neste primeiro Natal em que participa da iniciativa, Gescica saiu com 11 desejos em mãos. “No meu emprego, decidimos adotar as cartinhas este ano. É um ato tão simples pra gente e que pode fazer tanto bem… Quem pede, geralmente, é criança que os pais vivem com pouco e onde não sobra pra presente. Esse ato deve causar uma alegria danada”, projeta.

 

Serviço

 

Papai Noel dos Correios

Onde adotar cartas:

Agência Aldeota (rua Maria Tomásia, 682, Aldeota)

Agência Alencarina (av. Oliveira Paiva, 2800, Cid dos Funcionários)

Agência Barão de Studart (avenida Barão de Studart, 1864, Aldeota)

Agência Central (rua Senador Alencar, 38, Centro)

Agência Iguatemi (avenida Washington Soares, 85, no shopping Iguatemi)

Agência Parangaba (avenida João Pessoa, 7189, Parangaba)

Agência Juazeiro do Norte (rua da Conceição, 354, Juazeiro do Norte)

 

Quando: até 6 de dezembro (adoção e entrega dos presentes)

 

Outras informações: bit.ly/11wL8yp e (85) 3255 7262

(O Povo)

Anúncios