Açude Castanhão – Ceará

“Se não houver recarga no ano que vem, a Região Metropolitana de Fortaleza e o sistema do Pecém terão segurança hídrica, com certeza. Fizemos simulações que identificam que em fevereiro de 2016 a gente chegaria com 11% [da capacidade de armazenamento], em torno de 700 milhões de metros cúbicos”. A afirmação é de Ricardo Adeodato, diretor de Operações da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh).

A garantia, segundo Adeodato, vem do açude Castanhão, o maior do Ceará. Localizado no município de Nova Jaguaribara, a 260 quilômetros de Fortaleza, o reservatório tem capacidade para armazenar 7,5 bilhões de metros cúbicos de água, mas hoje acumula apenas 1,98 bilhões, que representa apenas 29,57% da sua capacidade de armazenamento, o pior índice desde que foi inaugurado há 11 anos. Além de Fortaleza, outros 25 municípios são abastecidos pelo Castanhão, incluindo o Complexo Portuário do Pecém e os distritos industriais. O consumo anual dessa região é de 800 milhões de metros cúbicos.

Mesmo com garantia, o diretor afirma que a economia de água não está descartada. “A gente precisa interagir com a sociedade de uma maneira bem objetiva e democrática para que se comece a economizar água. A gente entende que existe muito desperdício.  È muito pouco provável que a gente passe quatro anos sem recarga. Cidade nenhuma do mundo suporta isso”, diz.

A aparente tranquilidade com relação à Região Metropolitana de Fortaleza não se estende ao resto do Estado. Dos 149 açudes monitorados pela Cogerh  em parceria com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), apenas um está com volume acima de 90% da capacidade de abastecimento, o açude Gavião, no município de Pacatuba, parte da Bacia Metropolitana, está com 91,47% de volume de água. Outros 119, estão com volume inferior a 30%, segundo a Cogerh.

A situação dos açudes é consequência da escassez de chuvas registrada principalmente nos últimos três anos, quando o volume ficou bem abaixo da média histórica. De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), enquanto a estação chuvosa de 2014 ficou 24% abaixo da média histórica de 607,4mm, nos anos anteriores os índices foram piores. Em 2013, as precipitações entre fevereiro e maio ficaram 37,7% abaixo da média e, em 2012, 50,7%.

“Das 12 bacias hidrográficas do Ceará, a que está mais complicada é a bacia do Sertão de Crateús, que está com 1,2% de volume. Temos também a bacia hidrográfica do Curu, em torno de 3,7%. Mas temos bacias em situações bem mais confortáveis, como a do Alto Jaguaribe, em torno de 46%, e a bacia da Serra da Ibiapaba com 29%. O Ceará tem hoje a sua média em 24,1% em volume de água nos açudes, isso representa 4,5 bilhões de metros cúbicos de água, mas não é distribuída de forma linear”, explica Adeodato.

Para minimizar os efeitos da falta de chuva e a consequente escassez de água na maioria dos municípios cearenses, a Cogerh  implementa medidas para a convivência com a seca. “Estamos priorizando o consumo humano”, diz Adeodato. Além disso, a Companhia está, segundo ele, identificando os principais problemas nos 184 municípios do Ceará. Nessas cidades foi montado um plano de contingência, com três programas: distribuição de água por meio de carros-pipa para as comunidades mais isoladas; construção de poços em locais onde existe água subterrânea; e implantação de adutoras de montagem rápida que levam água de uma região para outra. No Ceará, 178 municípios estão em situação de emergência.

Com a prioridade da água para consumo humano, a “sobrevivência” dos 14 perímetros irrigados do Ceará fica comprometida. Perímetros como Araras Norte, Ayres de Souza, Baixo Acaraú e Tabuleiro de Russas já vivem racionamento de água como forma de evitar prejuízos do que já foi plantado. No Ceará, a produção da maioria dos perímetros é de frutas.

“Estamos negociando [o uso da água]. Já negociação uma redução no perímetro irrigado do Bairro Acaraú, no sistema do Curu, que é o Curu-Paraibaba e Curu-Pentecoste,  praticamente está sendo usado águas de poços para salvar o que já foi plantado. No Sistema de Morada Nova, já está em curso uma negociação para não plantar. No Tabuleiro de Russas, temos negociado uma redução de maneira bem objetiva”, explica Ricardo Adeodato.

(G1 Ceará)

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