Toinha, 44 anos dedicados ao Fortaleza, percorre a sede do clube como “mãe” dos jogadores

O Clube da Garotada tem uma mãe incansável que olha por todos. É Antônia Porfírio de Lima, 71, a Toinha. Atualmente auxiliar de nutrição do clube, ela percorre diariamente os corredores do Alcides Santos com a autoridade de quem já transitou por vários setores em 44 anos de serviços prestados ao Tricolor. Ajuda a cuidar da alimentação dos atletas com o carinho de quem os considera filhos. E pelos jogadores é tratada como mãe. Por isso, quer ver seus “meninos” em momento de glória, sábado, contra o Macaé, em jogo que vale o acesso à Série B.

“O torcedor já está tão cansado dos cinco anos na Série C que não quer acreditar (no acesso). Aí eu digo: ‘Sei o dia a dia deles. Sei como estão trabalhando. Quando Deus quiser, a gente ganha'”, consola.

Toinha é grata por todos os desafios vencidos pelo clube. E pela história que construiu no Pici. “Todo dia 13 de maio eu choro muito só agradecendo, não posso pedir nada nesse dia para Nossa Senhora (de Fátima)”, revela. A fé se materializa em dezenas de imagens de santos na janela de sua sala, onde prepara a alimentação do elenco.

A maior alegria veio no bicampeonato de 1982/1983. “O presidente Ney Rebouças fez um time vencedor que tinha o Luizinho das Arábias (lendário atacante que foi ídolo tricolor nos anos 1980). Era um goleador e fez 33 gols. Isso me marcou e até hoje lembro disso”, conta. Prefere não falar de tristeza ou frustrações. “Não tem nada ruim para mim aqui. E mesmo se tivesse eu não ia lhe dizer”, brinca.

Toinha tem um caso de amor materno com o Fortaleza, mesmo sendo 25 anos mais nova que o clube. Já trabalhou fazendo cobranças de mensalidades dos conselheiros do clube, foi telefonista, cozinheira. “Só nunca lavei roupa, mas já botei no sol para enxugar e já engomei”, diz, com o ímpeto de quem deseja trabalhar por pelo menos mais 10 anos no Leão.

Como toda mãe, Toinha tem alguns filhos na sua prole sentimental que vez em quando são travessos. “O Guto e o Waldison dão trabalho para comer. Às vezes enganam a gente para não tomar a suplementação. Mas vou atrás, não escapam, não.”

RECADO DE MÃE

O coração não esconde a ansiedade pela decisão de sábado, no Castelão. Para Toinha, o tempo da espera na Série C está acabando. “Peço todo dia para ganhar esse título (acesso à Série B)”, diz, olhando para uma imagem de Frei Damião.

(Aufradísio Dantas, Esportes, O Povo)

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