SÃO PAULO – Após redes de supermercados e shopping centers anunciarem a expansão para o Nordeste, o setor farmacêutico também se prepara para acirrar a disputa por esse mercado. O motivo é o aumento do poder de compra da população, além do crescente interesse pelos produtos de beleza.

Com investimento em novas unidades e centros de distribuição, redes do Sudeste agora buscam uma fatia do mercado e o movimento deve afetar a rede de farmácias cearense Pague Menos, que lidera na região e hoje detém mais de 10% do mercado nacional. O Grupo DPSP, que detém as drogarias São Paulo e Pacheco, é um exemplo e desde o ano passado tem ampliado as operações na Bahia e no Recife.

Criada há três anos, após a fusão das marcas – que têm operações separadas -, a companhia já soma ao menos 25 lojas em Salvador, onde está com a Drogaria São Paulo. “Tínhamos presença muito forte na Região Sudeste, predominantemente em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Agora, começamos a atuar em outras praças para ter abrangência nacional, em médio e longo prazo”, disse ao DCI o presidente da DPSP, Gilberto Martins Ferreira.

Com a projeção de fechar o ano com 140 novas lojas das duas marcas, além de 560 novos pontos de venda até 2018, ele afirmou que o foco da companhia está no Nordeste e também Centro-Oeste, onde a DPSP passou a atuar com a Drogaria Pacheco. “No ano passado entramos em Goiânia [GO]. Este ano, no Distrito Federal”. Hoje, a empresa soma com as duas marcas ao menos 900 lojas em operação – todas próprias.

Modelo regional

De acordo com ele, o varejo farmacêutico tem migrado de um modelo regional para o nacional. E a companhia investe em um crescimento orgânico, que se tornou mais interessante economicamente, já que o Grupo pode ser mais seletivo na hora de abrir uma nova loja. “Nosso mercado é extremamente competitivo. E a preocupação está principalmente na capacitação dos funcionários, que exige uma atenção maior já que estamos falando de saúde”.

Ao mirar na crescente classe C da Região Nordeste, Ferreira destaca que as mulheres são maioria nas unidades das redes. Tanto que 30% do faturamento do Grupo já correspondem às vendas do segmento de beleza e estética. “Mesmo com um tíquete médio baixo, a categoria possui um volume de vendas importante”, conclui.

Questionado sobre a possível venda do Grupo para a empresa CVS – líder do setor nos Estados Unidos -, que estaria disposta a comprar a companhia por R$ 4,5 bilhões, o executivo disse que as informações não passam de especulação.

Vale lembrar que em fevereiro do ano passado, a CVS comprou a brasileira Onofre, que também negava as negociações. “Temos uma empresa sadia e extremamente capitalizada, além de muito assediada por fundos de investimentos. Mas não pensamos nisso agora.”

Investimento

Com mais de 1.045 lojas – 60% em São Paulo – a RaiaDrogasil é outra companhia que investirá na Região Nordeste. Com seis centros de distribuição (CD), em quatro estados da federação, a empresa irá construir um CD para atender a crescente demanda em Pernambuco.

“Será a primeira unidade na região e deverá ser aberta em Recife. Hoje, Nordeste é abastecido pelo CD de Goiânia”, ressalta o presidente da RaiaDrogasil, Marcílio Pousada.

Presente em 14 estados, ele diz que os investimentos da companhia estão direcionados para o Nordeste, onde a marca atua com um modelo que atende principalmente às classes B e C. O aumento de renda e o crescimento da taxa de envelhecimento nas cidades nordestinas foram destacados pelo executivo. “São os principais vetores de vendas para nós. Além disso, até o momento não tivemos problemas com isso na região, muito pelo contrário.”

Com projeção de abrir mais 130 lojas este ano, Pousada afirma que ao menos 80 já foram inauguradas e as outras 50 devem entrar em operação até dezembro. “O mais difícil no processo é achar o ponto e fechar o contrato, mas isso já fizemos.”

De acordo com ele, as duas redes controladas pela companhia – Droga Raia e Drogasil – têm apresentado crescimento, mas cada uma em seu mercado de atuação. Nascidas no Sudeste, a Droga Raia cresce com mais força na Região Sul, onde tem forte atuação em Curitiba (PR). Já a Drogasil está bem posicionada nos estados do Centro-Oeste e no Nordeste.

“Isso acontece por conta do posicionamento das redes, definido quando houve a fusão das marcas. A Drogasil como estava muito bem estabelecida no sul de Minas Gerais, logo estrategicamente achamos melhor subir com a marca para os outros estados”, afirmou.

Liderança

Na contramão dos concorrentes está a Pague Menos. Nascida na Região Nordeste, a companhia diz ser a única do varejo de medicamentos “com presença em todo o território nacional”, como informou o presidente da marca, Deusmar Queiróz.

Conforme o executivo, agora os investimentos da companhia estão direcionados para o Centro-Oeste, onde recentemente foi inaugurado um centro de distribuição que irá abastecer a região, o Sudeste e o Sul do País. “Esse é o maior CD de medicamentos da América Latina, com 400 mil metros cúbicos de armazenagem”, afirmou.

Com perspectivas de crescer 18% este ano, Queiróz contou que ao menos 80 novas lojas devem ser abertas até o final de 2014, sendo a projeção de terminar o ano com 730 unidades. “Vamos sair de um faturamento de R$ 3,8 bilhões em 2013 para R$ 4,4 bilhões este ano”, revelou. Para 2015, a intenção da rede é de chegar a 830 unidades.

Outra aposta da rede são produtos de marca própria, que correspondem a 5% do faturamento. A categoria de produtos de beleza e higiene tem crescido a uma taxa de 20% ao ano. Já a venda de medicamentos tem crescido menos, 15% ao ano.

(Fellipe Aquino, Portal DCI)