São Paulo – Com os 2,02% de aumento real conquistado neste ano – o maior não escalonado desde 1995 – os bancários superaram a marca de 20% (20,7%) de reajustes acima da inflação desde 2004 nos bancos privados. Na Caixa Federal e no Banco do Brasil o ganho foi de 21,3% nesse período.

Para o piso, foi ainda maior. Com os 2,49% de agora, o reajuste real desde 2004 bate na casa dos 42,1%.

Na íntegra (sem descontar a inflação), os reajustes em 2014 foram de 8,5% para salários, vale-alimentação, 13ª cesta, auxílios creche e babá, regra básica da PLR e parcela adicional; 9% para os pisos e 12,2% no vale-refeição.

Os índices foram sacramentados na segunda-feira 13, data das assinaturas da nova Convenção Coletiva de Trabalho e dos acordos aditivos dos bancos federais, válidos em todo o Brasil. Tudo deve ser pago retroativamente a 1º de setembro, data-base da categoria.

Dentre as conquistas deste ano, os 5,5% de ganho real para o vale-refeição e os 2,02% na regra básica e na parcela adicional da PLR, vale-alimentação, 13ª cesta e auxílios creche e babá. Houve avanços, ainda, no combate ao assédio moral, pressão por metas, formação profissional, 13º e reabilitação para afastados, direitos da gestante, dos homoafetivos e segurança.

11 anos – Este ano foi o 11º seguido de aumento real para os bancários, conquista de muita luta e organização da categoria. Parece rotina, mas nem sempre foi assim. Nos dez anos anteriores, ou seja, de 1995 a 2003, só quatro com aumento real e outros seis com perdas. Além de em maior quantidade, mais intensas. Em 1995, foram 3,34% de valorização, anulada logo no ano seguinte, quando a categoria perdeu 3,05% de seu poder de compra. Logo depois, um pequeno ganho, também engolido por forte queda, de 2,31%, em 1998. O fim da década e início dos anos 2000 agravaram o cenário. Dois anos que, somados, não chegaram a 0,5% de aumento real e três fortes quedas. No geral, 8,6% de perdas salariais no período.

> Demissão e arrocho resumem final dos anos 90

O achatamento, também conhecido como arrocho salarial, veio lado a lado com demissões. De 1994 a 2002 bateram em 30% na categoria ou mais de 150 mil trabalhadores dispensados. No ciclo seguinte, a partir de 2003, só crescimento até 2012. No total, de 30%, ou 110 mil bancários a mais.

“É nítida a diferença de política. Não são casos isolados, desconexos. Está claro que em um momento, nos governos neoliberais do PSDB, havia desvalorização do salário e do emprego. No outro, de Lula e Dilma, os salários cresceram e também o número de bancários”, afirma Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato, que à época do governo do PSDB era funcionária do departamento de câmbio do Bradesco, na Nova Central.

(Sindicato dos Bancários de SP)

Anúncios