Jornal GGN – O coronel reformado Carlos ALberto Brilhante Ustra é mais uma vez denunciado por crime da ditadura militar. Dessa vez, o Ministério Público de São Paulo indica Ustra como um dos três militares responsáveis pela morte do jornalista e militante político Luiz Eduardo da Rocha Merlino em julho de 1971.
Integrante do Partido Operário Comunista (POC), o jornalista foi morto depois de intensas sessões de tortura nas dependências do Destacamento de Operações de Informações do II Exército (DOI) em Santos.
Além de Ustra, o MPF denunciou o delegado Dirceu Gravina e o servidor aposentado Aparecido Laertes Calandra, por homicídio doloso qualificado, e o médico legista Abeylard de Queiroz Orsini por falsidade ideológica, ao ter assinado laudos sobre o óbito de Merlino.
A intenção do coronel reformado era extrair informações sobre outros integrantes do partido, sobretudo de sua companheira ANgela Mendes de Almeida. Sofreu agressões durante 24 horas ininterruptamente. Com os ferimentos, não recebeu atendimento médico e só foi encaminhado ao Hospital Militar do Exército quando já estava inconsciente. Lá, os médicos consultaram novamente o chefe do DOI sobre a necessidade de amputar uma das pernas do jornalista, para evitar a sua morte. Entretanto, Ustra determinou que os servidores do hospital deixassem-no morrer, evitando, assim, que sinais de tortura fossem evidenciados.
O coronel manteve a versão de que Luiz Eduardo da Rocha Merlino teria morrido ao se atirar sobre um carro, durante uma tentativa de fuga, na BR-116, altura de Jacupiranga. Para tornar a história verossível, fez um caminhão das Forças Armadas passar por cima do corpo de Merlino, deixando as marcas de pneus. O médico legista também endossou a versão e assinou o laudo sobre a morte. Ustra ordenou a limpeza da cela onde ele foi mantido preso.
Nos anos 90, a história começou a ser questionada, quando peritos revelaram uma série de inconsistências nos laudos de Marlino e de outros militantes políticos mortos, todos assinados pelo mesmo médico Abeylard de Queiroz Orsini.
Além das condenações, os procuradores responsáveis pela denúncia solicitam que a Justiça Federal determine a perda do cargo público dos denunciados, o cancelamento de aposentadoria ou qualquer provento que recebam, e que, enquanto tramitar o processo, Gravina seja afastado cautelarmente do cargo de Delegado de Polícia Civil, e Orsini impedido de exercer a medicina.
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