Mais que nas pesquisas, está na política o grande problema da candidata Marina Silva a 13 dias das urnas de 5 de outubro. Do Datafolha ao Ibope, confirmados nesta terça-feira 23 pelo levantamento do CDMA, a candidata do PSB é, na prática, a única que vai perdendo preferências e simpatias na fase central da eleição. E em doses alopáticas.

Com rejeição em alta, de acordo com todos os levantamentos, e quedas acentuadas nas intenções de voto, a cada divulgação, Marina agora está em busca da humildade perdida. Ontem, pediu “orações” ao público, evitando enfrentar os temas objetivos que têm surgido no curso da campanha.

O movimento de recorrer à fé faz parte da tática definida por seu comando de campanha, que pretende preservar a candidata do confronto de ideias à espera da chegada do segundo turno. Nesta segunda volta, de acordo com os estrategistas do PSB/Rede, Marina teria tempo igual ao do adversário, de 15 minutos por dia na televisão, e poderia, então, mostrar todo o seu potencial.

O problema dessa verdadeira tática do avestruz – a ave que enfia a cabeça num buraco como forma de se livrar dos problemas do entorno – é o ritmo de queda no prestígio eleitoral de Marina. Pelas tendências detectadas em todas as pesquisas, ela pode, simplesmente, não atingir o segundo turno. O que parecia justo e contratado a questão de duas semanas mudou radicalmente.

No novo quadro, desenhado pela queda de nada menos que 6 pontos percentuais da candidata do PSB na pesquisa CDMA divulgada hoje, Marina está muito mais próxima de uma briga na reta final com Aécio Neves, do PSDB, por uma vaga no segundo turno, do que acossar a presidente Dilma Rousseff em sua posição de liderança na corrida. Neste sentido, a fotografia revelada pelo levantamento apontou, pela primeira vez, a ultrapassagem de Dilma, em apenas um ponto, mas ultrapassagem, na simulação de segundo turno. É de se lembrar que, pouco mais de vinte dias atrás, a ex-ministra aparecia no Datafolha com dez pontos de frente sobre a candidata à reeleição na fase final da disputa.

MENOS RECURSOS PARA SE RECUPERAR – Para se recuperar, o problema, para Marina, é que ela conta, agora, com bem menos recursos do que antes. Assim que assumiu o lugar de Campos, na segunda metade do mês de agosto, a ex-senadora abriu uma forte dissidência no PSB. Dirigentes até então de confiança do ex-governador de Pernambuco deixaram reuniões aos berros, espalhando impropérios contra a postura da candidata. Além de perder boa parte da cúpula e da base partidária, Marina também já deixou de ser, a esta altura, a novidade da eleição. Despontando como favorita assim que subiu ao primeiro plano da cena eleitoral, ela não conseguiu manter-se acima da segunda metade da faixa dos 30% de intenções. Neste momento, já se debate para manter-se acima dos 25%. No entanto, o ritmo de sua descida, à razão de 3 a 6 pontos semanais, a depender da pesquisa, mostra que está muito difícil barrar o movimento que já se assemelha a uma queda livre.

Com sua postura exclusivista, de recusa às alianças que haviam sido costuradas, uma a uma, ao longo de um ano inteiro de conversas políticas por Eduardo Campos, Marina perdeu bases em Estados decisivos como São Paulo e Minas Gerais. Está praticamente sozinha no Rio de Janeiro e tem dificuldades para se movimentar no Nordeste. Sua região natal, o Norte, como se sabe, não tem peso eleitoral para decidir uma disputa nacional.

O choro é livre, mas quando, duas semanas atrás, Marina verteu lágrimas em razão de um refrega verbal com o ex-presidente Lula, a cena soou estranha. Afinal, pouco antes, nos debates promovidos pelas redes Bandeirantes e Globo, a mesma Marina fez questão de demonstrar uma postura firme e, para muito, triunfalista, como se já se sentisse como presidente eleita, tal o desprezo demonstrado aos adversários.

No programa de governo, por outro lado, Marina demonstrou ter seu calcanhar de Aquiles. Coordenado pela herdeira do banco Itáu Neca Setúbal, o programa dedicou apenas duas linhas ao pré-sal – reconhecidamente a maior riqueza natural do País nos tempos atuais. Inserindo um tema espinhoso nos debates, a candidata passou a defender a independência do Banco Central, ao mesmo tempo em que seus economistas, como Eduardo Gianetti, espalhavam ideias neoliberais que associaram suas ideias econômicas ao programa do PSDB.

Como se vê pelas pesquisas, que também registram o crescimento de Aécio, o público está preferindo o original à reprodução. Nos próximos levantamentos, basta para Aécio subir algo como três pontos, o que não é impossível, e Marina perder outros três, o que parece bastante provável, para ambos chegarem a uma situação de empate técnico na disputa pelo segundo lugar. A presidente Dilma, enquanto isso, deixa por este instante decisivo a berlinda de ataques para vislumbrar, outra vez, a chance de vencer em primeiro turno.

De fato, a presença de Marina Silva mudou a eleição presidencial de 2014 – mas não exatamente como ela imaginava.

Mais que nas pesquisas, está na política o grande problema da candidata Marina Silva a 13 dias das urnas de 5 de outubro. Do Datafolha ao Ibope, confirmados nesta terça-feira 23 pelo levantamento do CDMA, a candidata do PSB é, na prática, a única que vai perdendo preferências e simpatias na fase central da eleição. E em doses alopáticas.

Com rejeição em alta, de acordo com todos os levantamentos, e quedas acentuadas nas intenções de voto, a cada divulgação, Marina agora está em busca da humildade perdida. Ontem, pediu “orações” ao público, evitando enfrentar os temas objetivos que têm surgido no curso da campanha.

O movimento de recorrer à fé faz parte da tática definida por seu comando de campanha, que pretende preservar a candidata do confronto de ideias à espera da chegada do segundo turno. Nesta segunda volta, de acordo com os estrategistas do PSB/Rede, Marina teria tempo igual ao do adversário, de 15 minutos por dia na televisão, e poderia, então, mostrar todo o seu potencial.

O problema dessa verdadeira tática do avestruz – a ave que enfia a cabeça num buraco como forma de se livrar dos problemas do entorno – é o ritmo de queda no prestígio eleitoral de Marina. Pelas tendências detectadas em todas as pesquisas, ela pode, simplesmente, não atingir o segundo turno. O que parecia justo e contratado a questão de duas semanas mudou radicalmente.

No novo quadro, desenhado pela queda de nada menos que 6 pontos percentuais da candidata do PSB na pesquisa CDMA divulgada hoje, Marina está muito mais próxima de uma briga na reta final com Aécio Neves, do PSDB, por uma vaga no segundo turno, do que acossar a presidente Dilma Rousseff em sua posição de liderança na corrida. Neste sentido, a fotografia revelada pelo levantamento apontou, pela primeira vez, a ultrapassagem de Dilma, em apenas um ponto, mas ultrapassagem, na simulação de segundo turno. É de se lembrar que, pouco mais de vinte dias atrás, a ex-ministra aparecia no Datafolha com dez pontos de frente sobre a candidata à reeleição na fase final da disputa.

MENOS RECURSOS PARA SE RECUPERAR – Para se recuperar, o problema, para Marina, é que ela conta, agora, com bem menos recursos do que antes. Assim que assumiu o lugar de Campos, na segunda metade do mês de agosto, a ex-senadora abriu uma forte dissidência no PSB. Dirigentes até então de confiança do ex-governador de Pernambuco deixaram reuniões aos berros, espalhando impropérios contra a postura da candidata. Além de perder boa parte da cúpula e da base partidária, Marina também já deixou de ser, a esta altura, a novidade da eleição. Despontando como favorita assim que subiu ao primeiro plano da cena eleitoral, ela não conseguiu manter-se acima da segunda metade da faixa dos 30% de intenções. Neste momento, já se debate para manter-se acima dos 25%. No entanto, o ritmo de sua descida, à razão de 3 a 6 pontos semanais, a depender da pesquisa, mostra que está muito difícil barrar o movimento que já se assemelha a uma queda livre.

Com sua postura exclusivista, de recusa às alianças que haviam sido costuradas, uma a uma, ao longo de um ano inteiro de conversas políticas por Eduardo Campos, Marina perdeu bases em Estados decisivos como São Paulo e Minas Gerais. Está praticamente sozinha no Rio de Janeiro e tem dificuldades para se movimentar no Nordeste. Sua região natal, o Norte, como se sabe, não tem peso eleitoral para decidir uma disputa nacional.

O choro é livre, mas quando, duas semanas atrás, Marina verteu lágrimas em razão de um refrega verbal com o ex-presidente Lula, a cena soou estranha. Afinal, pouco antes, nos debates promovidos pelas redes Bandeirantes e Globo, a mesma Marina fez questão de demonstrar uma postura firme e, para muito, triunfalista, como se já se sentisse como presidente eleita, tal o desprezo demonstrado aos adversários.

No programa de governo, por outro lado, Marina demonstrou ter seu calcanhar de Aquiles. Coordenado pela herdeira do banco Itáu Neca Setúbal, o programa dedicou apenas duas linhas ao pré-sal – reconhecidamente a maior riqueza natural do País nos tempos atuais. Inserindo um tema espinhoso nos debates, a candidata passou a defender a independência do Banco Central, ao mesmo tempo em que seus economistas, como Eduardo Gianetti, espalhavam ideias neoliberais que associaram suas ideias econômicas ao programa do PSDB.

Como se vê pelas pesquisas, que também registram o crescimento de Aécio, o público está preferindo o original à reprodução. Nos próximos levantamentos, basta para Aécio subir algo como três pontos, o que não é impossível, e Marina perder outros três, o que parece bastante provável, para ambos chegarem a uma situação de empate técnico na disputa pelo segundo lugar. A presidente Dilma, enquanto isso, deixa por este instante decisivo a berlinda de ataques para vislumbrar, outra vez, a chance de vencer em primeiro turno.

De fato, a presença de Marina Silva mudou a eleição presidencial de 2014 – mas não exatamente como ela imaginava.

Via http://www.esmaelmorais.com.br

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