Esta eleição presidencial, talvez, tenha o maior “DNA petista” da história. Pegando carona no jargão do ex-presidente Lula, presidente de honra do PT, “nunca na história deste país” houve tantos candidatos que passaram pelo mesmo partido e disputam o mesmo cargo: a Presidência da República. Dos dez adversários da presidente Dilma Rousseff (PT), que disputa à reeleição, pelo menos seis já estiveram no mesmo partido que ela. Aliás, muitos destes ajudaram, inclusive, a fundar o PT.

Estão na lista: Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL), Marina Silva (PSB), Mauro Iasi (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU). A atuação destes candidatos, que hoje militam em outros partidos, foI em segmentos distintos. A saída do PT, também. Alguns chegaram a ser expulsos do partido. Outros tiveram uma mudança mais “diplomática” e sem traumas.

Na oposição a presidente Dilma Rousseff, apenas Aécio Neves (PSDB), Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e o Pastor Everaldo (PSC) não militaram na legenda de esquerda. Pelo menos não foi encontrado registros até o momento de alguma ligação. É bom salientar, ainda, que a própria Dilma, antes de ser militante do PT, foi filiada ao PDT.

Eduardo Jorge (PV) está na esquerda desde o regime militar (1964-1985). Militou no movimento estudantil, na cidade de João Pessoa, se formou em medicina e ajudou a fundar o PT em São Paulo, do qual foi deputado estadual e federal em algumas legislaturas. Divergência com o partido o fez sair e filiar-se ao PV, em 2003.

Em 1984, antes de se filiar ao PT, Marina Silva (PSB) ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores CUT (CUT), no Acre. Pelo partido, Marina disputou seu primeiro cargo público em 1986, ao concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. Ficou entre os cinco mais votados, mas o partido não atingiu o quociente eleitoral mínimo exigido. Deixou o PT após 24 anos, em 2009, se filiando, logo em seguida, ao PV.

O candidato Zé Maria (PSTU) foi uma das lideranças das greves do ABC paulista, no ano de 1978. O político propôs, ironicamente, a criação do próprio PT. Foi um dos fundadores do PT e da CUT. Em 1980, foi preso com Lula e mais 10 sindicalistas, e enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Foi expulso partido por entrar na campanha do Fora Collor.

Já o historiador Mauro Iasi (PCB) ajudou a fundar o PT na década de 1980 e participou da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989, quando foi derrotado por Fernando Collor de Melo nas urnas. Deixou o PT em 2004 e migrou para o PCB.

Antes de se filiar ao PCO, o jornalista Rui Costa Pimenta, a partir do final de 1979, participa do processo de fundação do Partido dos Trabalhadores, tendo contribuído para construir o PT em São Paulo e no ABC. Em 1985, é eleito diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT), na região da Grande São Paulo.

A hoje candidata do PSOL, Luciana Genro entrou na política em 1985, ainda aos 14 anos. Teve contato com o PT durante o movimento estudantil. Seu pai o ex-prefeito de Porto Alegre e ex-ministro de Lula, ainda é filiado ao partido. Em 2002, foi eleita deputada federal pelo PT. A candidata, no entanto, tinha opiniões divergentes do partido, como a indicação de Henrique Meirelles à Presidência do Banco Central e a indicação de José Sarney à Presidência do Senado. Logo em seguida, deixou o partido e foi para o PSOL.

(Diário de Pernambuco)