São Paulo – Os bancos públicos tiveram papel fundamental na evolução da economia brasileira nos últimos anos, inclusive após a crise mundial. Estudo do Dieese mostra que enquanto as instituições privadas, após 2008, retraíram sua participação no crédito, as estatais passaram a sustentar sua oferta: a participação relativa dos públicos no saldo total das operações de crédito da economia saltou de 36%, em janeiro de 2008, para 51% em dezembro de 2013, enquanto que os privados nacionais reduziram a oferta de 43% para 33% e os estrangeiros de 21% para 16%, no mesmo período.

Os dados servem de reflexão às vésperas da eleição presidencial, quando candidatos defendem a redução do papel dos bancos públicos na economia, com o argumento de que a oferta de crédito pela Caixa, BB e BNDES inibem a atuação dos privados.

“O Sindicato sempre defendeu a importância das instituições financeiras públicas”, lembra a secretária-geral da entidade, Ivone Maria da Silva. Ela destaca a luta histórica dos bancários contra as privatizações promovidas na década de 1990, como a do Banespa. “Nossa atuação sempre se pautou pelo combate a políticas que pregam menor participação do Estado seja na economia, seja em serviços públicos. E esse é um momento importante para o país, em que candidatos defendem projetos que vão em direções opostas. É preciso cautela.”

Crescimento – O economista André Biancarelli, da Unicamp, lembra que foram as intervenções do Estado na economia que permitiram que o país avançasse entre 2009 e 2010, em plena crise mundial. “Foi fundamental para o crescimento na última década. Não se avançaria como nos últimos dez anos sem o crédito disponibilizado pelos bancos públicos.”

E acrescenta: “O Brasil tem um sistema de financiamento público muito importante, que resistiu ao projeto neoliberal da década de 1990”. Mas novos projetos defendem a diminuição dos bancos públicos, sob o argumento de que têm de perder espaço para que os privados possam atuar. “Haveria crédito de longo prazo no país sem a atuação do BNDES? Ou o que teríamos seria financiamento externo e endividamento? São questões a se pensar seriamente, até porque apontam para mudanças radicais que, uma vez postas em prática, não serão revertidas com facilidade.”

Andréa Ponte Souza, Sindicato dos Bancários de SP

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