247 – A candidata do PSB, Marina Silva, afirmou não ser verdadeira a afirmação de que ela não irá tratar o pré-sal como prioridade caso seja eleita presidente da República. “O pré-sal continua com a prioridade, mas também haverá outras prioridades”, disse a presidenciável nesta quarta-feira 3, em sabatina ao portal G1, da Globo. Segundo ela, os recursos para a exploração “serão mantidos”.

No último debate presidencial, realizado por Folha, Uol, SBT e Jovem Pan, a presidente Dilma Rousseff questionou Marina sobre o fato de ela não tratar com prioridade essa “riqueza tão invejada pelo mundo”. Hoje, Marina reafirmou que pretende investigar em outras fontes de energia, como etanol, eólica e de biomassa, mas que, para isso, não é necessário transferir recursos.

“Não há necessidade de tirar recursos do pré-sal para investir no etanol. O pré-sal vai gerar riquezas para investir em educação, tecnologia e inovação para que possamos investir em outras fontes”, disse Marina aos jornalistas Tonico Ferreira, da TV Globo, e Nathalia Passarinho, do G1. Ela também disse que, em um eventual governo, pretende “corrigir as políticas erráticas que foram tomadas em relação aos combustíveis”.

Questionada sobre o uso, pelo PSB, do avião comprado por empresas fantasmas, Marina afirmou que ele “está sendo declarado na conta do Eduardo [Campos, que morreu na tragédia com o jato]. Já foi encaminhado para a Justiça dessa forma e, além do esforço que o partido fez para dar todos os esclarecimentos, existe uma investigação da Polícia Federal em relação à problemática dos empresários (…). A declaração do uso do serviço é na conta do candidato e acreditamos que isso está esclarecido”, disse.

Marina voltou a dizer que não há contradição em sua aliança com Beto Albuquerque (PSB), candidato a vice, por ele ter aceitado doações de campanha da indústria de armas, o que vai contra os princípios da presidenciável. Segundo Marina, “a aliança se baseia no programa – que eu e Eduardo acordamos” e está “inteiramente coerente com a nova política”. A candidata ressaltou que “é um engano imaginar” que a nova política será feita por ela ou pelo vice. “É a sociedade brasileira [quem fará]”.

Sobre se aceitará apoio do PSDB num eventual segundo turno, disse que “assunto de segundo turno a gente trata no segundo turno”, acrescentando que “respeita os adversários”. Quanto às chances de vencer em primeiro turno, fez uma imagem: “devemos andar de sandálias com solas de algodão”, fazendo menção ao cuidado que deve ter com este tema: “quem decide é o cidadão”. Marina Silva voltou a afirmar que pretende governar com “pessoas de bem”, que é contra a reeleição – “meu governo será de quatro anos” – e insistiu por diversas vezes que pretende “corrigir os erros” do governo Dilma.

Abaixo, reportagem da Reuters sobre a entrevista:

Marina diz que “medo” é a pior forma de se fazer política

BRASÍLIA (Reuters) – Em resposta às insinuações de que pode ser um novo Jânio Quadros ou outro Fernando Collor de Mello, ex-presidentes que não concluíram seus mandatos, a presidenciável Marina Silva (PSB), afirmou nesta quarta-feira que o “medo” é a pior forma de fazer política.

Em entrevista ao portal de notícias G1, Marina afirmou que a utilização do medo na campanha é semelhante ao “terrorismo” feito contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na eleição de 2002.

“Infelizmente quem está querendo ressuscitar o medo é a presidente Dilma (Rousseff, PT). E a pior forma de se fazer política é pelo medo”, disse a candidata, em entrevista ao portal de notícias G1 nesta quarta-feira.

“Eu prefiro fazer política pelas duas coisas que orientaram a minha vida: pela esperança e pela confiança”, disse a candidata do PSB.

Na terça-feira, a propaganda de Dilma na TV exibiu trechos em que um locutor questiona a governabilidade de um eventual governo de Marina, citando Jânio e Collor como momentos em que o país escolheu “salvadores da pátria” e “chefes do partido do eu sozinho”. Jânio renunciou e Collor sofreu impeachment.

No mesmo dia, mais tarde, o vice na chapa da candidata do PSB, Beto Albuquerque, classificou as comparações como lacerdismo e golpismo. Antes de Albuquerque, a própria Marina já havia rebatido a comparação, citando sua atuação na política para afirmar que “a sociedade brasileira” conhece seus valores e sua luta “há mais de 30 anos”.

ERROS E MINISTÉRIOS

Ao ser questionada sobre as erratas de seu programa de governo, Marina aproveitou para alfinetar Dilma, afirmando que a atual gestão não reconhece seus erros, principalmente na condução da economia.

“Agora mesmo nós temos inflação alta, nós temos os juros altos, baixo crescimento, e não há o reconhecimento por parte do governo dos problemas que nós temos”, disse.

“Quem persiste no erro, não reconhece o erro, são aquelas que causam maiores prejuízos ao país.”

A candidata, que tem reafirmado compromissos com programas sociais e ampliação de recursos para áreas como a saúde, defendeu a eficiência dos gastos públicos como forma de gerar fontes para essas promessas de campanha.

Em declarações anteriores, Marina já havia sugerido a reavaliação da política de desonerações do governo, e a “qualificação” dos gastos públicos.

Nesta quarta, a ex-senadora apostou no crescimento da economia para gerar espaço a esses investimentos e ainda em um enxugamento da máquina pública, incluindo a redução de ministérios.

“A decisão de que vamos fazer essa redução (de ministérios) está tomada. Agora quais serão reduzidos, isso é algo que você faz no momento em que você é eleito, na hora em que você está fazendo a transição”, afirmou. “Ninguém pode ficar fazendo qualquer tipo de ilação se você ainda não tem os dados, não está à frente do processo.”

Marina defendeu ainda o critério da “competência” para a escolha de ocupantes de cargos públicos, dirigindo suas críticas especialmente a nomeações para a Petrobras, e agências reguladoras.

PSB E REDE

Sobre sua permanência no PSB, partido que a acolheu em outubro do ano passado, quando teve frustrada a tentativa de criar sua prórpia sigla, Marina não foi clara, apesar de afirmar que tão logo seja possível, a Rede Sustentabilidade será formalizado por seus apoiadores, que já constituíram diretórios em todas as unidades federativas.

“Eu vou continuar como presidente da República, eleita pelo PSB, porque eu não quero instrumentalizar esse lugar. A Rede Sustentabilidade vai ter o meu apoio sempre, e teria o apoio de Eduardo Campos, mas nós estamos imbuídos de governar com todos os partidos”, disse.

A presidenciável afirmou ainda que tem o compromisso de “ajudar o PSB a encontrar a sua estabilidade política interna” após a trágica morte de Eduardo Campos em um acidente de avião no mês passado.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello, via Brasil 247)

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