Via http://www.isaudebahia.com.br

Obter um corpo magro e musculoso é sonho de muita gente. As academias estão cheias de pessoas buscando aperfeiçoar suas proporções corpóreas e melhorar a saúde por meio da atividade física.

A fim de potencializar os efeitos dos exercícios, muitos têm utilizado os “aumentadores de performance”, conhecidos como suplementos e anabolizantes. Tornou-se prática comum e observa-se, frequentemente, adolescentes e adultos  carregando,  em suas coqueteleiras, misteriosos  “pozinhos” que prometem maravilhas. E ainda há as barrinhas de força, proteína e energia, os termogênicos para queimar as gorduras e aumentar o vigor, os implantes hormonais na mulher pós-menopausa para recuperar a juventude e os “ciclos” hormonais, para ganho de “massa bruta” e “cutting” para a molecada que gosta de puxar ferro.

Aí é que mora o perigo!
Há uma concepção disseminada e equivocada de que os aumentadores de performance são seguros ou que os efeitos colaterais são contornáveis. O que de fato existe é uma supervalorização dos possíveis benefícios em detrimento dos efeitos adversos desconhecidos, pouco avaliados e, sobretudo, subnotificados.

O argumento mais utilizado pelos usuários é: “- Mas é só uma proteína…”.  Quem garantiu isso?

Proteínas, aminoácidos, estimulantes, termogênicos e hormônios são as substâncias mais utilizadas nas academias.  Suplementos nutricionais podem conter diversas dessas substâncias em misturas.

Trabalhos científicos revelam que compostos com proteínas de fácil absorção como whey protein, L-glutamina, caseína, creatina, entre outros, podem, em conjunto com atividade física, aumentar a massa muscular. Dietas hiperproteícas aumentam a saciedade, o gasto energético basal e promovem menor ganho de peso em gordura. 

Tudo isso, no entanto, quando em excesso, pode ser lesivo ao seu organismo! Além disso é preciso estar certo de que o suplemento somente contém exclusivamente o que diz que tem. É preciso respeitar as quantidades prescritas e seguir um plano terapêutico para obter os resultados.

” Termogênicos e estimulantes realmente dão vigor,  energia  e fazem queima de gorduras (e músculo também!), porém, no coração e no sistema nervoso atuam negativamente resultando em ansiedade, estresse, irritabilidade, taquicardia, hipertensão, arritmias, infarto e até morte.”

Termogênicos, estimulantes e hormônios podem ser parte da composição do suplemento e nem sempre estão discriminados. Termogênicos e estimulantes realmente dão vigor,  energia  e fazem queima de gorduras (e músculo também!), porém, no coração e no sistema nervoso atuam negativamente resultando em ansiedade, estresse, irritabilidade, taquicardia, hipertensão, arritmias, infarto e até morte.

E os hormônios?
Os hormônios são procurados por suas atividades anabólicas. Modificações estruturais em hormônios sintéticos alteram sua atividade tornando-os mais potentes, com maior atividade anabólica que a androgênica e mais resistentes a aromatização. Os mais comumente usados são a testosterona, boldenona, trembolona, stanozolol, nandrolona, dehidroepiandrosterona, oxandrolona, entre outros.

Qual o problema em usar essas substâncias?
O problema é que hormônios, mesmo em pequenas quantidades, atuam em todo o corpo por meio da circulação sanguínea. O nosso corpo já produz hormônios andrógenos e anabolizantes em quantidades perfeitas e em equilíbrio com o restante dos hormônios e com o organismo.

Ao utilizar suplementação de hormônios por injeção, patch ou por via oral, causa-se prejuízo ao organismo em delicado equilíbrio. Só para se ter uma ideia, quando um indivíduo tem um problema de falta de hormônio, o médico especialista usa-o em doses baixas, faz ajustes de doses de forma paulatina e utiliza exames laboratoriais para checar os excessos ou faltas. Qualquer quantidade errada, especialmente excessiva, pode causas danos.

E o que acontece nas academias?
Utilizam-se misturas de vários hormônios, em quantidades absurdamente elevadas, por esquemas orientados por leigos que passam a “receita do bolo” boca a boca ou por sites sem qualquer orientação médica. Uma loucura! Sob o ponto de vista endocrinológico, um suicídio para as glândulas…

Alguns dos produtos são de uso veterinário, não aprovados para humanos, não avaliados por estudos científicos e, muitas vezes, já banidos do mercado! (embora vendidos no mercado negro)!

A lista de efeitos adversos é enorme e, muitas vezes, os usuários pensam: “comigo não acontece” ou “vou usar algo para evitar o efeito”. Quanto engano, lamentável… A Tabela abaixo elenca os diversos efeitos colaterais em vários órgãos e sistemas.

E por que existe a dificuldade em perceber os problemas? Por que a mídia não provê informações como faz com tabaco ou drogas ilícitas? Por vários motivos: 1. A prevalência do uso dos suplementos e anabolizantes é desconhecida e existe subnotificação das doses utilizadas e dos efeitos colaterais. 2. Em geral, os usuários não procuram médicos. 3. Raramente os suplementos levam os  usuários às emergências. Os efeitos colaterais costumam acontecer em longo prazo e podem aparecer depois da interrupção do uso. 4. Os pesquisadores não podem conduzir estudos controlados sobre os efeitos colaterais em longo prazo, em voluntários saudáveis, especialmente utilizando as doses usadas em academias. Seria eticamente inaceitável. Portanto, as doses usadas “na prática” não são e nunca serão testadas. 5. Por fim, quando os efeitos aparecem, é difícil estabelecer que substância causou o que. Os usuários comumente misturam substâncias e fica difícil atribuir a culpa ou identificar o componente.

Ok, mas sempre há os que argumentam que não usam hormônios, somente os suplementos proteícos…

Mas quem disse que o seu suplemento é seguro? O vendedor? 

A empresa fabricante é certificada? A vigilância sanitária regulou adequadamente o produto? A quantidade dos componentes está correta? Os efeitos colaterais foram informados? O produto foi testado em humanos?

Muitos dos componentes estão expostos em siglas ou simplesmente não estão discriminados. Muitos fabricantes misturam o que querem, muitas vezes com analgésicos, para o usuários não sentirem dores nos treinos; com diuréticos para não haver retenção de líquidos; com anabolizantes hormonais para ganhar massa magra; com hormônio tireoidiano e anfetaminas para perder gordura e ter energia! Existem produtos já banidos do mercado que continuam sendo comercializados! (vide lista http://www.supplement411.org)!

O que fazer diante dessas dúvidas e quais as orientações para quem quer aumentar músculos preservando a saúde? 

Há um jargão muito próprio da academia que diz: “no pain, no gain”.  Ou seja, não é possível melhorar a performance sem esforço! Dedicação, horas de treino semanais com assiduidade, exercícios específicos e alimentação adequada são indispensáveis para aprimorar a composição corpórea de forma saudável. Entretanto, os efeitos no corpo, dessa forma, são mais lentos, as modificações são sutis e progressivas, podem acontecer em meses e até anos… Se otimização dos efeitos é desejada, suplementação proteica e programação especial de exercícios são o caminho. Um bom profissional de educação física e um bom nutricionista podem ajudar. Existem produtos no mercado que podem ser usados com segurança, é preciso saber qual.  Hormônios sem indicação específica, jamais!

E, por fim, não existem fórmulas milagrosas. Não existem resultados sem esforços. A promessa de maravilhas no corpo oculta problemas sérios de saúde sob a forma de músculos. Bonito por fora, estragado “por dentro”.  É preciso ficar atento, pois o suplemento pode ser um lobo em pele de cordeiro…

Anúncios