foto meramente ilustrativa

A respeito da matéria “Foz do rio Ceará. Passeio de barco passará a ser realizado todo mês”, da repórter Viviane Sobral (Editoria Cotidiano, página 3), na edição de ontem, 22, do O POVO, ainda que a regata motivadora da reportagem tivesse a intenção ambientalista, o projeto Conversas Flutuantes, do Sesc, pode obter muito mais resultados. A exemplo da revitalização da Barra do Ceará, bairro que para uma parcela dos historiadores, foi a origem de Fortaleza, ou ainda, de, sucessivamente, a capitania, a província e o Estado cearenses.

 

Aparentemente, a construção da Ponte José Martins Rodrigues, interligando sobre o rio Ceará a capital estadual e o município de Caucaia, inibiu a vocação navegadora de comunidades ribeirinhas do local. Entretanto, a Barra já teve maior importância para viajantes indo e voltando para o Estado, por meio dos hidroaviões decolando e pousando de 1929 a 1942 no estuário.

 

Entretanto, existem ainda questões sociais e indígenas, tendo em vista que, neste caso, a região abriga também a comunidade dos tapebas. Mas, esse resgate da Barra pode chamar a atenção para tudo isso, inspirar novamente as lideranças comunitárias que sempre reivindicaram os melhoramentos na região. Por outro lado, nunca mais houve a encenação do desembarque de Martim Soares Moreno na região, antes protagonizada pelo ator Jório Nerthal. Moreno, considerado fundador de Fortaleza, para nem todos, há consenso, porém, de que foi o formador do Ceará, depois das experiências fracassadas dos donatários Antônio Cardoso de Barros e Pero Coelho de Sousa. Mesmo que que haja monumentos no local autenticando a Barra como polo histórico, a exemplo da praça de Santiago.

 

O projeto Conversas Flutuantes está marcado para ser mensal. Tanto quem habita na Barra quanto fora dela deve ficar atento a essa proposta. Pode motivar, inclusive, projetos afins em locais no Brasil onde houve desembarques dos viajantes ou descobridores que proporcionaram reviravoltas na história do País. Mesmo que se lamente os erros e os crimes cometidos contra os povos nativos desde então.

(O Povo)