O volume armazenado nas 12 bacias hidrográficas do Ceará é o mais baixo dos últimos dez anos quando comparada a mesma data (31 de julho). Segundo números da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), a bacia em melhor estado, a do Alto Jaguaribe, está com apenas 50,5% do volume. O armazenamento de água total do Ceará também é o mais baixo do período: apenas 29,7%.

A situação é de alerta também quando observados os dez maiores reservatórios do Estado monitorados pela Cogerh. Dos oito açudes que existem desde 2005, apenas o Pacoti não enfrenta a pior situação agora em 2014 (quando comparada a mesma data – 1º de agosto): está com 35,6% do volume e esteve com 32,5% em 1º de agosto de 2012. As barragens mais recentemente inauguradas (Figueiredo, de 2013 e Taquara, de 2010) também têm hoje o pior quadro.

Entre as bacias, a do Sertão de Crateús é a com pior índice: está com apenas 2,57% da capacidade. Ela é composta por nove municípios. Pelo menos 38.810 domicílios dessas cidades são atendidos pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

Futuro

O cenário que se apresenta é de alerta, destaca o chefe de gabinete da Cogerh, Berthyer Peixoto Lima. Apesar de considerar arriscada a análise de período proposta pelo

O POVO, porque “prender-se a dez anos pode representar um erro hidrológico”, Lima reconhece que a situação preocupa e pode se agravar em 2015 dependendo de como o clima se comportar no Ceará.

Por isso, ele adianta que, caso seja percebido “que 2015 é um ano de seca”, as medidas de priorização de água para o consumo humano e animal serão “mais duras”. Além da suspensão das outorgas novas para uso de água para a irrigação, como é feito hoje no Canal do Trabalhador e no Eixão das Águas, outorgas já em execução também podem ser suspensas. “Tem leis estadual e federal que dizem que, em anos de eventos críticos, é necessário que usos de água para consumos menos nobres sejam suspensos. Se a gente perceber que 2015 é ano de seca, vai ter que suspender a água de irrigação pra que possa priorizar o uso para abastecimento humano e animal”, adianta Berthyer.

Ele lembra, porém, que, por enquanto, o comportamento do clima no ano que vem é apenas suposição. Porém, indica, “pressupõe-se” que será um ano de El Niño. “Isso não quer dizer que vá ser ano de seca. Pode ter fenômenos isolados, eventos que acabem causando aporte hídrico satisfatório”, comenta. O tempo para a recuperação dos reservatórios cearenses, porém, é incerto, indica o chefe de gabinete da Cogerh. Assim, o Estado trabalha sempre com “o pior cenário” pensando em soluções no caso de carência de chuvas. 

Serviço

Para acompanhar a situação dos açudes e bacias do Ceará:

Portal Hidrológico do Ceará

http://www.hidro.ce.gov.br

 

(Mariana Lazari, O Povo)