Diálogo publicado no Facebook do governador Cid Gomes, no último dia 20 de julho, no qual ele comenta com um internauta (cuja identidade prefiro preservar) sobre a filiação partidária de Camilo Santana, seu candidato à sucessão estadual:
Vez por outra, o governador conversa com internautas no Facebook, iniciativa que o ajuda a criar uma imagem de gestor aberto ao diálogo com a população. A vantagem é que ele só responde o que quiser; a desvantagem é que uma resposta revela que aquele assunto foi selecionado como prioridade.
Cid poderia ter dito que o PT é um partido que possui história, com qualidades e defeitos como todos os demais, mas que conta com grandes quadros, conteúdo programático, e que, além do mais, conhece bem o candidato, que já foi seu secretário, e por aí vai. Mas não disse. Preferiu desconsiderar a questão partidária e apelar ao personalismo, aos atributos individuais do candidato. A mensagem ficou mais ou menos assim, ainda que não tenha sido essa a intenção: “Ele é do PT mas, apesar disso, o que importa é que ele é um jovem esforçado e gente boa. É por isso que eu o apoio”.
O ruim para Camilo Santana é que esse é o tipo de declaração que pode fustigar a militância petista, já que o PT entra na história como mais um partido a serviço de um projeto particular. O comitê do candidato, não custa observar, não será na Av. da Universidade, tradicional reduto do PT no Ceará. Será na Av. Sebastião de Abreu, no espaço que já serviu à candidatura de Roberto Cláudio (então no PSB e hoje no Pros) à Prefeitura de Fortaleza. Olhe lá se o vermelho não sumir da campanha… Fica a estranha situação de haver um candidato do PT cuja candidatura, na verdade, é do Pros.
Por fim, não deixa de ter coerência com a trajetória política do governador e seu grupo, marcada por recorrentes trocas de partido.
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