Da FUNCEF

FUNCEF: Nota de Esclarecimento

Matéria de O Globo  compromete a qualidade da informação e presta um desserviço à sociedade e aos participantes da Fundação

A propósito da matéria “Fundos de pensão no vermelho” veiculada no jornal O Globo, edição de hoje, 7/7/2014, produzida pelas jornalistas Gabriela Valente e Geralda Doca, a FUNCEF faz os esclarecimentos que seguem.

Procurada, a FUNCEF, por intermédio de seu diretor de Investimentos, Maurício Marcellini Pereira, respondeu perguntas feitas pela jornalista Geralda Doca, com quem conversou no último dia 12 de junho, demoradamente, sobre diversas questões, entre as quais as políticas de investimento e resultados dos planos de benefícios e sobre as perspectivas e cenários econômicos para os próximos anos.

Na oportunidade o diretor apresentou  à jornalista nota de esclarecimento    divulgada pela FUNCEF no dia 10/6/2014, a respeito de diversas impropriedades contidas em matéria publicada por outro veículo de comunicação, cujo conteúdo guarda boa dose de similaridade com o tratamento jornalístico dado à matéria de hoje de O Globo.

Destacamos que nenhuma das jornalistas mencionadas conversou com o Presidente Carlos Caser a propósito desta publicação.

Apesar de a Fundação ter sido procurada previamente à publicação da matéria, constatamos a total descaracterização da abordagem dada pelo nosso representante, inclusive no que se refere à contextualização de questões apresentadas.

Rechaçamos categoricamente as inferências feitas pelas jornalistas sobre interferências do governo e falhas na gestão de investimentos como causas do déficit apresentado por alguns dos planos administrados pela FUNCEF.

A propósito dos ativos mencionados pela matéria, informamos:

i. No caso da INVEPAR, onde a FUNCEF possui 25% das ações da companhia, tendo aportado R$ 1,209 bilhão, a participação da entidade está avaliada em R$ 2,741 bilhões, posição de 31/12/2013. Somente nos últimos dois anos a valorização do ativo foi superior a 65%, de acordo com avaliações técnicas realizadas por instituições financeiras especializadas e de primeira linha. A avaliação contempla a concessão do Aeroporto de Guarulhos, um dos ativos mais importantes da companhia, mas ainda não inclui a valorização decorrente da agregação da concessão da BR 040, arrematada em leilão em novembro/2013. Portanto, atualmente, há grande probabilidade de a INVEPAR ter valor ainda maior que o do ano passado;

ii. A usina de Belo Monte, ainda em fase de construção, é um investimento de grande potencial de retorno, com perspectivas de ganhos superiores à meta atuarial dos planos de benefícios. Trata-se de projeto de longo prazo de maturação e de grande importância para os acionistas da Norte Energia S.A. (NESA), concessionária da Usina. A FUNCEF detém 10% de participação na NESA, com um capital comprometido de R$ 608 milhões, dos quais R$ 455 milhões já foram integralizados até janeiro de 2014. Uma das importantes características do investimento é o seu alto nível de previsibilidade do fluxo de receitas com a venda de energia, em longo prazo, o que o torna bastante aderente ao perfil dos compromissos dos planos de benefícios;

iii. Considerado um excelente investimento no setor de óleo e gás, a companhia Sete Brasil, onde a FUNCEF detém participação de aproximadamente 17%, por meio do FIP Sondas, apresentou em 2013 uma valorização de 72,14%, apurada por instituição especializada em avaliação econômica e financeira de empresas;

iv. A Desenvix Energias Renováveis S.A., na qual a FUNCEF detém participação de 18,7%, é uma companhia que atua na geração de energia de fontes diversas (eólica, hidrelétrica e biomassa) e em linhas de transmissão. O potencial do negócio é significativo, com excelentes perspectivas de futuro, visto que a maioria dos seus ativos possuem fluxos de caixa contratados a longo prazo. Com a maturação da companhia, os retornos tendem a superar as expectativas. A companhia tem como uma de suas maiores acionistas a Statkraft, empresa norueguesa que é a maior geradora de energia renovável da Europa.

v. A companhia Eldorado Brasil Celulose S.A. foi criada a partir da fusão de ativos pertencentes ao Fundo de Investimento em Participações Florestal (FIP Florestal) – do qual a FUNCEF era detentora de 25% das quotas – com o FIP Eldorado. O FIP Florestal investia na empresa Florestal Brasil S.A., que desenvolvia projetos de plantio de florestas para produção de madeira. A Eldorado, por sua vez, investiu na construção de uma fábrica de celulose, localizada em Três Lagoas-MS. Após a fusão, a fábrica foi concluída e está em pleno funcionamento. Trata-se da maior linha de produção vertical de celulose branqueada do mundo. Além de grande potencial de retorno para os investidores, com valorização de 15,73% em 2012 e 18,86% em 2013, o projeto gera milhares de empregos e contribui fortemente para o desenvolvimento da região. Ressaltamos que a entrada da FUNCEF e dos demais cotistas não demandou aportes adicionais para o negócio, além dos ativos já pertencentes ao FIP Florestal;

Ratificamos o posicionamento recorrentemente divulgado pela FUNCEF, sobre a determinação da entidade de não adotar critérios preconceituosos na análise de propostas de negócios, em especial no que concerne à originação. Sejam de interesse público ou privado, os investimentos levam em consideração, preponderantemente, os requisitos consagradores do princípio da prudência: segurança, liquidez e rentabilidade. Temos um moderno modelo de governança, que garante a observância das melhores práticas de gestão patrimonial.

Causou-nos estranheza menção a fonte genérica, uns supostos “Auditores da Caixa”, já que a Fundação não passou por processo de auditagem da patrocinadora para apurar causa de déficits. E, se assim tivesse sido, certamente os profissionais de auditoria da CAIXA, como de costume, não fariam declarações dessa natureza, dado o rigor com que observam o princípio da confidencialidade que rege suas atribuições.

Quanto a suposto questionamento de investimentos feito pela CAIXA, atribuído a uma funcionária aposentada, esclarecemos se tratar de informação improcedente, visto que a patrocinadora conhece as causas dos resultados apresentados pelos planos de benefícios, cujas razões residem, fundamentalmente, na conjuntura econômica, notadamente em função da crise econômica que se iniciou em 2008, cujos reflexos ainda persistem e impactam os mercados de investimentos, especialmente os ativos de renda variável. É oportuno destacar que as demonstrações contábeis e patrimoniais dos planos de benefícios são aprovadas pelos órgãos de administração da CAIXA, regularmente.

A FUNCEF respeita os direitos adquiridos pelos seus aposentados e pensionistas e cumpre rigorosamente com as regras dos planos que administra. Não seria diferente no caso da senhora Olga Marinho Costa, a quem as jornalistas atribuem questionamentos quanto aos seus ganhos e cujos benefícios encontram-se totalmente adimplentes. Em respeito ao sigilo e a confidencialidade dos dados, não nos cabe divulgar valores pagos à mencionada aposentada. Todavia, vale ressaltar que, desde 2006, as regras da FUNCEF garantiram reajuste real de quase 30% no benefício da maioria de seus assistidos.

Além de estranheza, a matéria causou-nos indignação. A falta de rigor em retratar a realidade fática da FUNCEF, previamente repassada à jornalista que entrevistou o diretor Maurício, compromete a qualidade da informação disponibilizada à sociedade e gera desconfiança infundada junto a participantes, causando-lhes ansiedade e temor descabidos quanto à segurança dos seus direitos e à solidez do seu fundo de pensão.

Por fim, a similaridade da postura de alguns veículos de comunicação no tratamento de questões relacionadas aos fundos de pensão, destacadamente os patrocinados por empresas estatais, leva-nos a concluir que há, de fato, ação articulada de setores da imprensa brasileira com o propósito de desgastar o segmento de entidades fechadas de previdência complementar. A divulgação indiscriminada de versões, as abordagens generalizadas e o uso de fontes não identificadas constituem-se em forte indício de que há motivações outras por trás das notícias. Parece-nos que o objetivo não é o de apenas informar, mas, sim, de influenciar em processos políticos.

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