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É regra nas democracias maduras que órgãos da imprensa declarem apoio editorial a uma linha política ou a uma candidatura à qual eventualmente simpatizem, pois a imparcialidade é uma lúdica quimera dos desavisados, ou um ardil dos dissimulados.

Mino Carta, diretor de redação da revista que leva o seu sobrenome, aCartaCapital, vive à margem da grande imprensa conseguindo manter certa independência editorial. Mas, embora criticamente, jamais escondeu a sua simpatia pela esquerda nacional.

Desde a primeira eleição de Lula, Carta deixou claro a sua opção eleitoral e, para jus à regra, publicou editorial, na edição desta semana, anunciando apoio à reeleição de Dilma Rousseff.

Eu votei na eleição e reeleição de Lula. Eu votei na eleição de Dilma e votarei na reeleição dela.

Como Carta, meu apoio não é à moda dos versos de Florbela Espanca em “Fanatismo” – “Ah! podem voar mundos, morrer astros, que tu és como Deus: princípio e fim!…” -, pois o sectarismo é coisa de quem perdeu a capacidade de pensar criticamente em mais de uma via, e a vida não é uma linha reta.

Mas, destarte as críticas que teço à presidente e ao lulopetismo, não consigo enxergar em Aécio ou Eduardo, para me deter nos dois mais chegados concorrentes, algo que possa me desviar o voto. E faço isso na base da inteligência emocional: não gosto deles e isso me basta.

Mino Carta, todavia, em seu editorial, ofereceu-me uma explicação que cabe em um dos escaninhos da ojeriza que curto em desfavor de Aécio e Eduardo:

“CartaCapital respeita Aécio Neves e Eduardo Campos, personagens de relevo da política nacional. Permite-se observar, porém, que ambos estão destinados inexoravelmente a representar, mesmo à sua própria revelia, a pior direita, a reação na sua acepção mais trágica. A direita nas nossas latitudes transcende os padrões da contemporaneidade, é medieval. Aécio Neves e Eduardo Campos serão tragados pelo apoio da mídia e de uma pretensa elite, retrógrada e ignorante.”.

O negrito foi meu. Mino Carta me representa, e o parágrafo em aspas é a mais perfeita tradução do que Cazuza cantou dos destros que pagam para sair nas colunas sociais: “a piscina deles está cheia de ratos. As ideias deles não correspondem aos fatos”, pois, mesmo porque mais não seja, se eles já venceram no mercado, que resfoleguem na política.

Leia o editorial aqui.

Via http://pjpontes.blogspot.com.br