Foto: Fabiane de Paula

A pergunta pareceu tentadora: o que você, estrangeiro, escolheria levar de Fortaleza para sua cidade depois da Copa do Mundo? Na mala dos tantos americanos, mexicanos, escoceses, chilenos consultados por O POVO, seria inevitável o excesso de bagagem. Como organizar a gente e a praia cearense em um único compartimento? O clima conserva no voo? Os frutos do mar vão junto com as meias? Se apertar, tem espaço pra coxinha aí?

A resposta unânime, dita entre um passeio na avenida Beira Mar, misturava a beleza da praia com a temperatura da água. Na lista do casal de escoceses Stephanie e Joe Herd, ambos 54 anos, teve espaço também para as pessoas – “todos estão sendo muito amigáveis”. Eles já trazem consigo memórias de Curitiba e ainda passam por Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro antes de retornar para casa. Já pensou naquela parte do Reino Unido a 30 graus o ano todo? O casal, pelo visto, sim – o clima de Fortaleza é do que sentirão mais falta.

O roteiro do trio americano Lino Facomir, 24, Ryan Vella, 24, e Matthew Vella, 28, seguiu o rumo Califórnia, Fortaleza, São Paulo e Rio. Aqui, deixaram os principais elogios para as pessoas. “Nos Estados Unidos, são mais privados. A abertura das pessoas daqui nos surpreendeu, foram ótimos e humildes”, ressaltou Lino. Ryan deu destaque também à comida na praia. “A comida fresca do mar é fantástica, com preços acessíveis e semelhantes às demais opções”.

Recém-chegados de Natal e Recife, mesmo com a experiência de apenas um dia na Capital cearense, os irmãos chilenos Sebastian e Cristian Díaz, 28, já haviam atestado: quanta diferença a água do mar. “Não só em Santiago, é gelada em todas as praias do Chile, gelada que dói o osso”, afirma Cristian. A namorada dele, Rosa Farías, 28, endossou o coro dos encantados pelo clima – aquele com sol – e emendou as pessoas, o peixe e o camarão.

Depois de adiantar a programação da Copa em um ano, o mexicano Victor Yepez, 31, se viu sem ingressos para ir ao Castelão no domingo. Mesmo assim, leva boas lembranças de Fortaleza. “Em Monterey, a temperatura pode ir de 40 graus no calor extremo a cinco graus, no mesmo dia. A praia daqui com este clima seria a melhor combinação que se poderia fazer”. Elogios também à Fan Fest. “Fui na de São Paulo e na de Recife e aqui foi a melhor. É na areia e a cerveja era mais barata”, argumentou.

De Victor, sobrou até um presente para O POVO: uma pequena garrafa de tequila de recordação. “Você morou aqui a vida inteira?”, questionou o americano Lino enquanto as respostas dos estrangeiros eram anotadas. “Que inveja”, completou. Na mala de todos, cabia uma Fortaleza. Ao menos a parte bonita, aquela conhecida e desbravada por eles, se bem dobrada e guardada, já tinha espaço na bagagem e na memória.

(Viviane Sobra, O Povo)