Diário do Nordeste

Acusada de fraude e de operar um produto financeiro sem autorização, a Telexfree, que prometia dinheiro rápido e fácil para quem aderisse à sua pirâmide financeira, encerrou suas atividades por tempo indeterminado na última sexta-feira (16), mas não sem deixar diversas pessoas no prejuízo, inclusive no Ceará. Para se ter uma ideia, uma enquete realizada ontem pelo Diário do Nordeste, através de sua página oficial no Facebook, constatou que teve cearense que perdeu mais de R$ 20 mil por apostar no negócio. Isso sem falar em alguns que largaram o emprego, tomaram empréstimo ou gastaram as economias na esperança de melhorarem de vida.

“Um amigo meu vendeu o carro e investiu R$ 21 mil nessa farsa”, afirma o internauta Júnior Toc. “Meu namorado investiu R$ 3 mil. A empresa fechou e ele acabou ficando no prejuízo”, explica Priscila Nobre. A pesquisa contou com a participação de aproximadamente 50 pessoas, das quais a maioria disse conhecer casos de amigos ou familiares que ficaram no prejuízo por conta do esquema da Telexfree.

Morador de Maranguape, Walter Emidio afirma que por pouco não viveu situação semelhante. “Tenho três amigos que me chamaram pra participar, falando em lucros rápidos. Disse não, já que não há fórmula secreta para isso”, comenta. “Para mim, a única maneira de ganhar dinheiro é trabalhando”, conclui. Nailson Ribeiro foi outro a lamentar os prejuízos causados pela Telexfree. “Meu cunhado foi enganado. Ludibriaram tanto a mente dele que saiu do emprego achando que ia ficar rico”.

Outro lado

Algumas participantes da pesquisa, porém, chegaram a defender a Telexfree. O técnico em edificações Renato Sousa, por exemplo, disse que investiu R$ 2,9 mil e lucrou. “Já ia comprar outra conta, quando veio o bloqueio judicial. Não concordo. Eu investi na empresa e a tia da minha esposa também. Todos nós fomos prejudicados com o fechamento”, critica.

Investigação

Desde 2013 a Telexfree é investigada pelo Departamento de Defesa do Consumidor, após denúncias de diversos Procons do País e do Ministério Público do Acre. Em junho passado, o órgão instaurou processo administrativo contra a companhia, que poderia ser multada em até R$ 6 milhões caso a fraude fosse comprovada. A Polícia Federal também investiga a empresa.

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