O Sindicato dos Bancários do Ceará (SEEB/CE) defende que os dias em que se realizem jogos da Copa do Mundo em Fortaleza sejam considerados feriados pela Prefeitura Municipal. O Sindicato participa de reunião na Secretaria Extraordinária da Copa (SecopaFor) nesta quarta-feira (14/05), às 14h, para tratar sobre o funcionamento do setor produtivo por ocasião da Copa do Mundo no Brasil.
“A Copa é possivelmente o maior evento privado do planeta, de interesse comercial e com reflexos importantes para o esporte, cultura dos países envolvidos, a economia e os investimentos nas cidades e para o turismo. Como um evento mundial que chega à nossa cidade, devemos defender o acesso de todos os setores da sociedade ao evento. Não é razoável que a classe trabalhadora seja excluída de participar desse evento, pois é um acontecimento ímpar na cidade, só comparável à visita do Papa João II ao Ceará, na década de 80”, pondera o presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo Bezerra.

“A última, e única, Copa que tivemos no Brasil antes dessa aconteceu em 1950. Possivelmente, a geração que assistiu esse evento não acompanhará a Copa de 2014 e quem sabe quando teremos outro evento como esse sediado em Fortaleza?”, questiona o diretor do Sindicato, Marcos Saraiva.

A entidade considera que setores envolvidos na Copa já têm uma alta lucratividade por conta dos investimentos do evento e que aqueles que têm interesse em comprar alguma coisa ou, por exemplo, ir ao banco utilizar algum serviço, tem plenas condições de fazê-lo em outro momento. “Nos dias dos jogos, ninguém está interessado nisso, e sim em acompanhar esse fenômeno mundial e não é justo tolher o acesso da classe trabalhadora a esse processo. Não dá para fazer a Copa apenas para aqueles de maior poder aquisitivo, ou para os turistas, e que a classe trabalhadora seja excluída de vivenciar esse evento”, disse o presidente do Sindicato.

Para o dirigente sindical, não é razoável alijar os trabalhadores em detrimento de interesses menores do setor produtivo. “Fazer isso é aprofundar e tratar de forma desigual aqueles que sempre almejaram por um espaço igualitário de lazer, cultura e esporte como é a Copa do Mundo. Discriminar a classe trabalhadora é aumentar o apartheid social entre quem tem recursos e quem não tem”, conclui.

O economista do Dieese/CE, Gilvan Farias dos Santos, corrobora com a opinião do Sindicato. Para ele, há setores como transporte, hotelaria, segurança, que realmente não podem parar. Entretanto, outros setores podem e devem se inserir nesse processo. “Esse é um evento que não se repete com frequência e o trabalhador tem o direito de fazer parte da Copa do Mundo e não somente construí-la”, afirma.

Fonte: SEEB/CE