O cérebro do ex-jogador da seleção brasileira Bellini foi doado para que seu médico, o neurologista Ricardo Nitrini, faça estudos de possíveis danos causados por cabeçadas na bola durante a carreira. Ele morreu na última quinta-feira, aos 83 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos.

De acordo com a família do jogador, o capitão sofria de Alzheimer há 18 anos, sendo que dez deles viveu muito bem.  Mas o longo tempo em que viveu com a doença pode ter como causa o impacto das testadas na bola, o que causará uma análise de seu médico.

“A partir da Copa de 2006, quando assistimos a primeira fase, voltamos para o Brasil, e ai ele apresentou maiores dificuldades com relação a doença, que foi se agravando”, falou a ex-mulher de Bellini, Giselda.

O cérebro do jogador já foi retirado nesta madrugada e não estava no corpo durante o velório realizado no Salão Nobre do estádio do Morumbi, zona sul da capital paulista.

O primeiro a levantar a taça

Nascido em Itapira em 1930, o capitão da seleção em 1958 imortalizou o gesto de levantar o troféu após conquista em campo. “Não foi nada programado”, disse, posteriormente. “Os fotógrafos pediram que eu levantasse a taça.”

Esse foi o primeiro Mundial do zagueiro, que voltaria a ser campeão com a seleção no Mundial de 1962, no Chile; nesta Copa, ele foi reserva. O capitão era o titular da zaga Mauro Ramos de Oliveira.

Bellini disputou sua última Copa em 1966, quando jogou as duas primeiras partidas da seleção que acabaria eliminada com uma derrota para Portugal.

Nos clubes, Bellini fez história como zagueiro do Vasco entre 1952 e 1962, conquistando três Campeonatos Cariocas (1952, 1956 e 1958) e um Torneio Rio-São Paulo (1958). Depois, foi para o São Paulo, onde atuou por 1962 e 1968 e substituiu Mauro Ramos como ídolo da defesa são-paulina. Ele se aposentou no Atlético Paranaense, em 1969.

Em virtude do Mal de Alzheimer, Bellini se distanciou dos amigos de Itapira. Seus últimos anos de vida foram em uma residência em São Paulo.

“Já tinha muito tempo que o Bellini enfrentava essa doença. Era uma pena, porque era um ouro de pessoa. Ele se afastou porque já não conhecia mais as pessoas”, relembra Flávio Boretti, ex-presidente do Itapirense e amigo de Bellini.

(Vanderlei Lima, Uol)

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