Considerado tranquilo, sem atropelos e com adversários sem expressão eleitoral, o cenário da sucessão estadual muda de cores e rumos. Os abalos na aliança entre PROS , PMDB e PT começaram a ser registrados em meados do segundo semestre de 2013 com as declarações de aliados do Governador Cid Gomes de que o candidato do grupo governista à sucessão estadual sairia dos quadros da mais recente sigla criada – o PROS .

O discurso reafirmado pelo ex-governador e irmão de Cid, Ciro Gomes, era repetido porque, antes, ele, Ciro, já havia feito declaração similar quando ambos eram filiados ao PSB. A declaração era recado direto ao senador e pré-candidato do PMDB ao Governo do Estado, Eunício Oliveira.

As palavras do ex-ministro arderam na alma e no coração do peemedebista. A partir das manifestações de Ciro Gomes, Eunício dava sinais de perder as esperanças de ser indicado pelos irmãos Ferreira Gomes como o candidato da situação ao Palácio Iracema.

Eunício pode ainda nutrir esse sonho, mas sem esperar muito decidiu enfrentar a caminhada e ser mais enfático ao dizer, com frequência, que seria candidato a governador independente do apoio de Cid Gomes.

A convicção de Eunício Oliveira animou correligionários do PMDB e acordou a oposição. O ex-senador Tasso Jereissati, que resiste ao convite do presidenciável Aécio Neves (PSD B) para ser candidato ao Senado, estimula a oposição e aposta fichas na pré-candidatura do ex-prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PR), à sucessão estadual. O PSB, também, oposição, tem como nome a empresária Nicolle Barbosa.

A turbulência na base política de Cid Gomes ganhou um novo capítulo com a articulação para o senador Eunício Oliveira desistir da candidatura ao Governo do Estado. Em jogo, para essa manobra, entraram o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff. O emissário da missão, em nome do governador Cid Gomes, era o deputado José Nobre Guimarães (PT). A Eunício, foi ofertado o Ministério da Integração Nacional. O peemedebista disse não.

Há um ano, Cid Gomes apostava em uma sucessão com candidatura única. O nome trabalhado não seria o de Eunício, mas alguém mais próximo – como o ex-ministro dos Portos, Leônidas Cristino, e mais, recentemente, o presidente da Assembléia Legislativa, José Albuquerque. Outra alternativa, com mais desenvoltura política e eleitoral, é o vice-governador Domingos Filho.

A lista de preferidos excluiu o senador Eunício Oliveira que, como líder das pesquisas de opinião pública, se manteve firme na pré-candidatura. A decisão de recusar a oferta do Ministério da Integração Nacional e de outros cargos da administração federal o fortaleceu ainda mais, comprometendo, assim, a manutenção da aliança PROS , PMDB e PT.

As articulações políticas que antecedem o carnaval mostram divisões, mas podem mudar com a sequencia de reuniões no Ceará e em Brasília. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado para unir a base política na sucessão de Cid Gomes. O nó, porém, é maior e, nesse momento, mais complicado para ser desfeito.

Fonte: Jornal Grande Porto.