O enorme talento vocal consagrou Whitney Houston como The Voice (A Voz) – assim ela foi chamada diversas vezes e também lembrada pelos fãs, que hoje lamentam dois anos de sua morte, ocorrida em 11 de fevereiro de 2012. A artista foi protagonista de um clássico do romance cinematográfico, o filme O Guarda-Costas (1992), mas também foi um divisor de águas para o mercado fonográfico, ainda figura entre os 500 Maiores Artistas de todos os tempos da revista Rolling Stone.

“O estilo dela era principalmente o R&B -o chamado ‘Rhythm and Blues’ era uma versão negra de uma espécie de rock, fortemente influenciado pelo jazz -, além do pop e do gospel. Sei que muitas cantoras gospel até se inspiram nela, tentando alcançar a potência de voz que ela tinha no palco”, afirma Aline Santos, 27 anos, fã da cantora desde O Guarda-Costas. “É difícil assistir aquele filme e não ficar apaixonada pela voz dela, pela força, pelo talento. Sei que a história pessoal dela é complicada, mas na música acho que poucas cantoras tem uma voz tão potente quanto ela teve”, completa.

A voz de Whitney chega a ser chamada de lendária e sua importância na história da música é frequentemente comparada a grandes artistas como Frank Sinatra e Elvis Presley. Além de ter sido fonte de inspiração para novos artistas, também de reconhecimento internacional como Celine Dion e Christina Aguilera. No Grammy Awards 2011, a cantora Lady Gaga confessou ter escrito a canção “Born This Way” pensando na voz da Whitney, e já havia declarado anteriormente que ela sempre foi um de seus “ídolos vocais”.

Talentosa e cheia de problemas

A vida pessoal e profissional de Whitney Houston chegou a passar por grandes turbulências, envolvendo principalmente sua relação com o cantor Bobby Brown, com quem terminou seu casamento de 14 anos, em 2006. O laudo do Instituto de Criminalística de Los Angeles, onde a cantora faleceu, também dá conta de que a morte de Whitney foi acidental -ela teria se afogado na banheira -, no entanto, outros dois fatores teriam contribuído para a morte, apontaram os peritos: uma doença cardíaca e vestígios de cocaína encontrados em seu corpo.

A grande estrela americana chegou a vir para o Brasil em 1994, para deleite dos fãs. No dia 16 de janeiro daquele ano, apresentou-se em São Paulo, no estádio do Morumbi, com a turnê The Bodyguard World Tour; e dia 23 participou do evento Hollywood Rock, no Rio de Janeiro. “Bem que eu gostaria de ter visto um show dela, mas acho que no tempo em que ela estava mesmo no auge ainda era muito mais difícil grandes shows virem pro Brasil”, lamenta a fã Aline Santos.

Essa ausência por terras brasileiras, no entanto, não impediu que toda uma geração de fãs se formasse -até quem não conhece em detalhes a discografia da cantora, conhece e reconhece seu brilho musical. Enilda Lobato, 35 anos, diz que não há nos tempos atuais uma cantora que se compare a Whitney e que isso se deve ao modo de ser da artista. “Daquela época, vejo ela como um talento único, assim como outros artistas que vieram com o dom da voz e o aprimoraram de forma maravilhosa”, reforça.

“Não tem hoje um pessoa que não tenha conhecimento de alguma música dela, da voz que ela tinha”, concorda Aline Santos, e se gaba por saber uma pequena curiosidade sobre a participação da artista no tão popular filme O Guarda-Costas. “No roteiro original do filme estava previsto que a Whitney cantaria a música ‘What Becomes of the Broken Hearted’. A ideia de cantar ‘I Will Always Love You’ foi do Kevin Costner. Soube disso há poucos anos, mas sempre que assisto penso, que diferença será que teria feito. Mas acho que não muita, o talento dela era mesmo único”, afirma.

Recordista de vendas e prêmios

Whitney Houston foi a artista mais premiada de todos os tempos, segundo o Guinness World Records, o que inclui: dois Emmy Awards, sete Grammy Awards, 31 Billboard Music Awards, 22 American Music Awards -um total de 425 prêmios conquistados até 2013. Ela também foi uma das artistas mais bem sucedidas da história, tendo vendido mais de 200 milhões de cópias em todo o mundo. Algo incrível para um começo tão simples, aos 11 anos, cantando em um coral de igreja.

“Pelo que sei, ela fez tanto sucesso que acabou ajudando a diversificar o mundo da música. As gravadoras perceberam o sucesso alcançado por ela e começaram a investir mais no talento das negras americanas. É como hoje em dia, que se um determinado estilo ou tipo de artista começa a fazer grande sucesso por uma gravadora, as outras começam a ir atrás de algo do mesmo gênero. Só que no caso dela foi uma coisa maior, mais importante porque incluiu artistas que eram realmente excluídos antes -negras dos Estados Unidos e, ainda por cima, mulheres. Acho que só por isso, ela já pode ser considerada como alguém muito importante pra música”, diz Cristina Sarges, 31 anos, também fã da cantora.

Uma espécie de Midas da canção

Whitney Houston lançou seis álbuns de estúdio e três álbuns de trilha sonora, todos eles certificados com diamante, multiplatina, platina e ouro. Seu potencial para superar limites e entrar para a história da música foi evidente desde seu primeiro álbum, lançado em 1985, consagrado como o disco de estreia mais vendido por uma artista feminina. Ele teve 25 milhões de cópias vendidas. Já seu segundo álbum, lançado em 1987, tornou-se o primeiro de uma artista feminina a estrear no topo da Billboard.

Com a trilha sonora de O Guarda-Costas (1992) ganhou o prêmio de Álbum do Ano, no Grammy de 1994. A música tema “I Will Always Love You” se tornou a mais vendida por uma artista feminina e o álbum, o único de uma artista feminina entre os cinco mais vendidos da história. Seu quarto álbum foi My Love Is Your Love (1998), que teve o sucesso ‘It’s Not Right but It’s Okay’; o quinto de estúdio foi Just Whitney (2002), também gravou um disco de Natal, o One Wish: The Holiday Album (2003). Seu último trabalho de estúdio foi “I Look to You” -obviamente, um grande sucesso, inclusive no Brasil.

(Diário do Pará)

Autor: Vinculado ao diarioonline.com.br.cultura