O primeiro mês de 2014 foi marcado pela violência na Grande Fortaleza. Entre os dias 1º e 31 de janeiro, nada menos que 282 homicídios foram registrados na Grande Fortaleza (181 na Capital e 101 na Região Metropolitana), média de nove assassinatos por dia. O índice representou um aumento de dez por cento em comparação a igual período de 2013 (quando foram registrados 253 homicídios na RMF).

Os dados numéricos foram obtidos através de levantamentos estatísticos feitos pela Editoria de Polícia com base nos registros oficiais dos órgãos vinculados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), entre eles, as coordenadorias integradas de Operações de Segurança (Ciops) e de Medicina Legal (Comel), da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).

Registros

Das seis Áreas Integradas de Segurança (AIS) fixadas em Fortaleza, a de número dois (AIS) foi a que apresentou maiores taxas de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), conforme a nova metodologia implantada pela SSPDS na contagem dos delitos com óbitos (homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) no Estado.</MC>
A AIS 2, que abrange 19 bairros (Antônio Bezerra, Autran Nunes, Dom Lustosa, Padre Andrade, Pici, Bonsucesso, Henrique Jorge, João XXIII, Jóquei Clube, Parque São José, Vila Peri, Conjunto Ceará (I e II), Genibaú, Granja Lisboa, Bom jardim, Canindezinho, Granja Lisboa e Siqueira), registrou, nada menos, que 50 assassinatos.

Em seguida, vem a AIS-4, que abrange 26 bairros da Capital (Cajazeiras, Cambeba, Cidade dos Funcionários, Luciano Cavalcante, Guararapes, Jardim das Oliveiras, Parque Iracema, Parque Manibura, Salinas, Aerolândia, Aeroporto, Alto da Balança, Dias Macedo, Ancuri, Barroso, Conjunto Palmeiras, Jangurussu, Coaçu, Curió, Guajeru, Lagoa Redonda, Messejana, Paupina, São Bento e Boa Vista), onde ocorreram 46 casos de homicídios e latrocínios.

A AIS que apresentou menor taxa de CVLI no primeiro mês do ano foi a de número três (AIS-3), de responsabilidade do 8º BPM e do 2º DP (Meireles), que contabilizou somente 22 casos de homicídios nos seguintes bairros, Aldeota, Meireles, Mucuripe, Varjota, Cais do Porto, Cidade 2000, Cocó, De Lourdes, Manuel Dias Branco, Papicu, Praia do Futuro (I e II), Vicente Pinzón, Dionísio Torres, Fátima, Joaquim Távora, José Bonifácio, Parreão, São João do Tauape, Edson Queiroz, José de Alencar, Sapiranga-Coité e Sabiaguaba.
As outras Áreas Integradas de Segurança apresentaram os seguintes índices de assassinatos, AIS-1 (28 homicídios), AIS-5 (35 crimes).

Cinturão

Já a AIS-06, responsável pelo ‘Cinturão Vermelho’ da orla marítima de Fortaleza, da Barra do Ceará ao Caça e Pesca, não apresentou nenhum caso de homicídio ou latrocínio (roubo seguido de morte). A região é de responsabilidade da Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur) e do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur).
Desde o último dia 14, a Deprotur passou a funcionar em regime de plantão 24 horas.

Já na região Metropolitana de Fortaleza, onde estão instaladas três Áreas Integradas de Segurança (AIS-7, AIS-8 e AIS-9), foram contabilizados pela Reportagem, 101 assassinatos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. A que apresentou mais taxa de crimes violentos foi a AIS-8, que abrange cinco municípios metropolitanos (Maracanaú, Maranguape, Pacatuba, Guaiúba e Itaitinga. Em um mês, ocorreram naquela região da RMF 40 assassinatos.

Na AIS-9, responsável pela segurança de sete Municípios (Eusébio, Aquiraz, Pindoretama, Cascavel, Horizonte, Pacajus e Chorozinho), foram 38 homicídios. Na AIS-7, que cobra os Municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante, foram 23 casos.

No bairro que até então era considerado o mais violento de Fortaleza, a Barra do Ceará, o número de homicídios vem caindo, graças às constantes operações que vêm sendo realizadas pela 3ª Companhia do 5º BPM (Cristo Redentor) juntamente com a delegacia Seccional da área, o 34º DP (Centro).

Campeão

Em contrapartida, o Barroso aparece como um dos mais violentos de Fortaleza. No mês de janeiro, pelo menos, 13 pessoas foram assassinadas ali, com destaque para uma chacina que aconteceu logo no segundo dia do ano, quando quatro homens, identificados como Igor Alves Gomes, Francisco Leandro de Oliveira Soares, Leandro Ribeiro Lima e Francisco de Oliveira Soares, foram executados no Condomínio Residencial Novo Barroso ou ‘Babilônia’.

Em janeiro foram registrados sete duplos homicídios. Um deles foi o primeiro caso de assassinato de 2014 na Capital, exatamente aos 47 minutos do dia 1º, quando duas jovens, Nataly Silva Lima e Francisca Regilene da Silva Sá foram executadas, a tiros, na Rua C, na Vila Velha.

(Diário do Nordeste)