AV. AGUANAMBI – FORTALEZA-CE

Com volume médio diário de 50.239 veículos, a Avenida Washington Soares é a via com maior fluxo de veículos da Capital. Em seguida estão as avenidas Aguanambi (41.350), Antônio Sales (31.102), Barão de Studart (30.200), Domingos Olímpio (29.824), Borges de Melo (28.860), Bezerra de Menezes (27.622), Engenheiro Santana Júnior (27.380), Santos Dumont (26.865) e Rui Barbosa (26.140). Em horário de pico, chama atenção que a velocidade média na Avenida Washington Soares é de 8 km/h, de acordo com dados da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC).

A jornalista Aline Pedrosa, 29, que mora no Eusébio, conhece bem o transtorno. “Está um caos. Sexta-feira à noite, quando tem show, a gente não sai do lugar. A Washington Soares tem muitos estabelecimentos e residências. Para quem mora na região metropolitana e depende do transporte público é cruel, os ônibus só passam de hora em hora. Então, a gente se vê obrigado a sair de casa de carro”.

Alternativa

Para tentar driblar os transtornos, a opção que encontrou foi ir para o trabalho, no bairro Dionísio Torres, pela BR-116. Dessa forma, o percurso que antes fazia em 1h10, agora realiza em meia hora. “Economizo a metade do tempo. Tem dias de manhã que ainda pego engarrafamento, mas ainda assim é mais rápido”. Para solucionar o problema, Aline afirma que é preciso criar mais vias alternativas. “Muitas vezes, a Washington Soares é a única opção para quem mora na Messejana, Eusébio e Aquiraz. Com o ´boom imobiliário´, muita gente está optando por morar nestas regiões”.

Integração

José Borzacchiello, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), observa que o ranking “privilegia” vias integradas às rodovias. A Washington Soares à CE-040 e a Aguanambi à BR-116. As demais que foram ranqueadas estão todas na Grande Aldeota, área com maior concentração de atividades residenciais, comerciais e de serviços. “O que dá essa posição à Washington Soares e à Aguanambi é o fato de que elas fazem integração de uma enorme área periférica com os dois mais importantes polos da cidade. A Avenida Washington Soares com a Aldeota e o Meireles e a Aguanambi com o Bairro de Fátima e o Joaquim Távora”.

Formato

O especialista destaca que grande parte das vias de Fortaleza são marcadas pela rádio-concentricidade, tendo no Centro da cidade o nó da circunferência. “As avenidas Aguanambi e a Washington Soares são raios, da mesma forma que a Bezerra de Menezes, Sargento Hermínio, José Bastos, Gomes de Matos, BR-116. Todas saem de pontos distantes para a área central, marcada por intenso fluxo e refluxo de pessoas, mercadorias e de capital”, esclarece.

O especialista comenta que a verticalização ocorreu principalmente na Aldeota, no Meireles e no Guararapes, e só agora está ocorrendo em outros bairros, como Messejana, Dunas e o Bairro de Fátima. Entretanto, o reforço de atividades, o aumento na oferta de serviços e a construção de shoppings centers em áreas como a Parangaba e a Messejana tende a reforçar a centralidade desses bairros, formando novas áreas de adensamento.

“É preciso descentralizar e criar um sistema viário que favoreça estas novas centralidades. A Messejana, Parangaba e Conjunto Ceará/Siqueira, por exemplo, contam com terminais de ônibus, mas não têm um sistema viário compatível com a absorção do fluxo e refluxo de veículos. Não têm terminalidade, como ocorre no Centro”, observa.

Ruas têm formato ´labiríntico´ e desarticulado

Antonio Paulo Cavalcante, arquiteto e urbanista, e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) esclarece que o que leva ao atual caos no trânsito da Capital é a sua forma urbana, que em Fortaleza é do tipo radial concêntrica, ou seja, com um núcleo histórico onde se tem o Centro antigo que está sendo acessado por grandes avenidas radiais.

O especialista explica que a cidade herdou um desenho urbano labiríntico, com manchas de traçado do tipo “xadrez”, desarticuladas e adaptadas para uma ocupação diferente da atual, com vias de pequena largura (14 metros, no máximo), em muitos casos insuficientes para atender a quantidade de veículos. Outro motivo que aponta como causador dos congestionamentos é a concentração das viagens casa-trabalho-casa em poucas ruas.

“Fortaleza segue uma lógica de ocupação desordenada, onde os terrenos urbanos foram ocupados sem a devida fiscalização. As classes C e D também passaram a utilizar o automóvel e, com isso, as pessoas vêm desistindo do transporte público que agoniza sem a devida infraestrutura que o acompanhe”. Cavalcante diz que as pessoas precisam começar a utilizar novos tipos de transporte, principalmente nas viagens fixas – casa-trabalho-casa. Caso isso não aconteça, alerta que a cidade irá inviabilizar o sistema em termos de custos de transportes, que se tornará cada vez mais caro, constituindo-se em uma deseconomia.

Plano

Com intuito de pensar soluções de fácil execução para o trânsito de Fortaleza, a Prefeitura iniciou, esta semana, o Plano de Ações Imediatas em Transporte e Trânsito de Fortaleza (PAITT). Na primeira fase, até junho de 2014, será feito o levantamento e a definição das macroações. Na segunda, de julho à dezembro, serão implementadas as iniciativas pensadas coletivamente. “A ideia é solucionar problemas pontuais de mobilidade por meio de intervenções simples, que não utilizem a infraestrutura física viária e não tenham grande impacto orçamentário”, frisa o prefeito Roberto Cláudio.

LUANA LIMA, via Diário do Nordeste

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