Na fila que dobra o quarteirão, os idosos são maioria. Por R$ 1, a refeição incluía carne, arroz, feijão, macarrão, farofa, salada, suco e sobremesa

No restaurante popular Mesa do Povo, na Parangaba, 1.400 refeições são vendidas diariamente ao preço de R$ 1, sendo metade servida a pessoas com mais de 65 anos. O único equipamento da Capital que faz valer a Lei Orgânica da Segurança Alimentar e Nutrição (Losan) funcionará pela última vez hoje, desativado pelo Governo do Estado. Uma manifestação está sendo programada para as 10 horas em frente ao local.

Na fila que dobra o quarteirão, os idosos são maioria. Dizem que não conseguem mais cozinhar sozinhos, e como não pagam tarifa de ônibus, é mais vantajoso levar uma moedinha e ter acesso a carne, arroz, feijão, macarrão, farofa, salada, suco e sobremesa. “Moro em Pacatuba e venho almoçar umas quatro vezes na semana aqui. O frango é gostoso e a comida é boa para quem tem diabetes”, disse o aposentado Abelardo Ambrósio da Silva. Segunda-feira, conforme ele, o jeito será procurar outro local para comer. “Vou tentar achar onde for melhor para o bolso”, acrescentou.

Para a telefonista Regina Sousa, 45, que há dois anos leva os dois filhos para almoçar no Mesa do Povo, a solução a partir da próxima semana será improvisar. “Trabalho o dia inteiro e não tenho tempo para cozinha. Aqui ainda sai mais barato e é comida de confiança”, contou. Ontem, um dia antes de fechar, o restaurante não exibia nenhum aviso sobre o assunto e a reação de muitos usuários ainda era de surpresa e dúvida sobre o fim das atividades.

Revisão do projeto

O restaurante é administrado pela Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS) que, através de nota, afirmou que “a paralisação se dá para avaliação das ações e revisão do projeto”. Nenhuma data ou detalhamento sobre novas estruturas que respaldam a Losan foram informadas. Ainda conforme a nota, as negociações estão sendo realizadas junto à Prefeitura que, através da assessoria de comunicação, informou ainda não ter definições sobre novas ações.

Após entrar com ação civil na Justiça contra o Governo do Estado e ter o pedido negado, o MPE ingressou com um pedido de reconsideração da decisão e aguarda retorno. “Demos entrada nesse pedido ontem e um ofício foi enviado à Prefeitura pedindo explicações sobre essa transição”, afirmou a promotora de Justiça Ana Vládia Gadelha.

Saiba mais

Em 2013, o Mesa do Povo ofertou 342 mil refeições e atendeu 17 mil pessoas.

De acordo com a promotora do Ministério Público Estadual (MPE), Vládia Gadelha, um estudo realizado pela Uece afirmou que 70% das pessoas atendidas no restaurante só fazem três refeições por dia.

Na segunda-feira, o MPE deverá fazer um pedido de reabertura do restaurante à Justiça.

Ainda conforme Vládia, a justificativa dada pelo Governo do Estado para o fechamento seriam os altos custos de manutenção do estabelecimento.

A promotora participou do programa Debates O Povo, ontem, onde fez as declarações e afirmou a realização da manifestação.

(Sara de Oliveira, O Povo)

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