Brasília – O engenheiro mecânico e político pernambucano Bruno Maranhão, um dos fundadores do PT naquele estado, encontra-se em estado clínico grave. Maranhão está hospitalizado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Memorial São José, em Recife, desde terça-feira (28) e, nas últimas 20 horas, passou a apresentar quadro de falência múltipla de órgãos. Ele sobrevive com a ajuda de aparelhos.

A notícia do agravamento do estado de saúde do militante petista, líder do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), que há quase três anos se recupera de uma trombose venal cerebral (TVC), deixou consternados vários companheiros de partido e políticos que conviveram com ele, tanto em Recife como em Brasília e São Paulo nesta tarde.

Com 74 anos, Bruno Albuquerque Maranhão possui uma trajetória de vida marcada por histórias inusitadas. É chamado de “usineiro com espírito de pobre” por integrantes das comunidades que costuma percorrer e de “ovelha negra da família”. Filho de tradicional família de usineiros pernambucanos,  sempre foi ligado à esquerda, tendo, inclusive, participado de assaltos a bancos para financiar a resistência contra a ditadura. Também foi um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que chegou a dirigir – legenda que teve 12 integrantes mortos e desaparecidos durante o regime militar.

Na década de 1970, Bruno ficou exilado em Paris, ao lado da mulher, a socióloga Suzana Maranhão. Lá nasceram dois dos seus filhos. Depois de retornar ao Brasil, participou da fundação do PT, legenda pela qual foi candidato ao governo de Pernambuco e à prefeitura do Recife, na década de 1980 – época em que chamava a atenção, entre outras coisas, ao circular pelo Recife dirigindo um fusca velho.

Invasão ao Congresso

Um dos episódios mais comentados nacionalmente que contou com sua participação aconteceu em 2006, quando foi acusado de ter promovido a invasão de militantes do MLST ao Congresso Nacional. Na ocasião, janelas de vidro foram quebradas e várias pessoas tiveram de ser socorridas com ferimentos. Cerca de 200 manifestantes do MLST foram presos por conta da invasão, ao lado de Bruno, que na verdade não estava presente no momento das agressões e argumentou que desceu ao local para conter a fúria dos manifestantes. Por conta do episódio, ele ficou detido 39 dias no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal.

Alguns anos atrás, em entrevista à revista Piauí, ele afirmou que embora os anos de militância política não tivessem atenuado o seu porte e jeito de usineiro – herdado dos dois lados da família (o pai e a mãe descendiam de ramos diferentes de donos de usinas de cana-de-açúcar, tida como a “nobreza pernambucana”), sempre se preocupou com a luta dos trabalhadores. “Eu sou do casarão e da lona preta dos acampamentos, essa é a minha contradição”, declarou, para completar em seguida: “Desde menino, convivia com os filhos dos trabalhadores das usinas. Não entendia direito porque eles não tinham o que eu podia ter”.

Apesar da postura de vida que adotou, ele sempre foi muito ligado aos pais e irmãos, tendo conseguido manter convivência carinhosa com toda a família, mesmo com uma forma tão diferente de pensar e agir.

Bruno Maranhão foi internado apresentando quadro de insuficiência respiratória, seguida de complicações renais. Assim que entrou no hospital, foi imediatamente entubado, diante da gravidade do quadro. Em 2011, quando sofreu a trombose, passou por duas cirurgias para conter uma lesão, mas teve o lado direito do cérebro afetado. Sua situação está sendo acompanhada de perto por familiares e amigos, que se encontram no local.

(Hylda Cavalcante, Rede Brasil Atual)

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