Após vários problemas no ano passado, a “Black Friday” deste ano já está dando dor de cabeça aos consumidores. Em cerca de 14 horas da promoção – que teve início à 0h desta sexta-feira (29), o número de reclamações no site chegava a 1.650, segundo o Reclame Aqui. No ano passado, o site registrou 8.000 reclamações nas 24 horas da promoção, considerando todas as empresas.

Considerando também as reclamações pelo RA Chat, canal que integra os chats das lojas com o Reclame Aqui, as queixas chegavam a 3.552 até por volta das 13h.

A quantidade de queixas contra as dez empresas que lideram esse ranking já era recorde em relação à média diária de queixas contra essas empresas ao longo do ano, aponta o site especializado no recebimento de reclamações e termômetro para a reputação de empresas.

As empresas mais reclamadas, por volta das 12h, segundo o site eram:
– Extra.com.br
– Ponto frio loja virtual
– Casas Bahia – loja virtual
– Americanas.com
– Submarino
– Centauro – loja virtual
– Walmart – loja virtual
– Saraiva (livraria, editora, virtual)
– Magazine Luiza – loja virtual
– Brastemp/ Consul – loja virtual

Antes mesmo do início do evento, o site já registrava mais de 400 queixas e denúncias de consumidores sobre aumento de preços.

Em nota, o Walmart disse que todas as dúvidas dos consumidores no “Reclame Aqui” no período foram esclarecidas com contatos telefônicos ou por meios eletrônicos, inclusive as que não diziam respeito à Black Friday. “Durante o mesmo período, não registramos nenhum pedido de esclarecimento referente à Black Friday através dos canais oficiais dos Procons estaduais e municipais”, disse.

O Submarino e Americanas.com disseram que não vão comentar.

A Saraiva informou, por nota, que não pode se manifestar a respeito, pois até o momento ainda não foi notificada oficialmente sobre o assunto. Disse que “é premissa da Saraiva respeitar todo e qualquer direito de seus clientes.”

A Whirpool, dona das marcas Brastemp e Consul, diz que está “em contato com os consumidores que tentaram adquirir produtos nos nossos sites para garantir que a compra seja efetuada com sucesso”.

O Magazine Luiza disse que “reforçou a estrutura do site e não registrou instabilidade durante o evento”. A rede afirmou ter ampliado a equipe de atendimento para a promoção para “garantir o comprometimento com o site Reclame Aqui” e que firmou compromisso com a Fundação Procon-SP por um atendimento adequado na Black Friday: atendimento ao consumidor 24 horas; preços e descontos efetivos e infraestrutura reforçada para melhor estabilidade do site.

G1 procurou as demais empresas mais reclamadas e aguarda respostas.

O Procon-SP divulgou que, até as 17h30 desta sexta, houve 87 queixas compartilhadas  pelos consumidores nas redes sociais por meio da hashtag #deolhonaBlackFriday. Elas motivaram a investigação de 17 empresas responsáveis por 21 sites de compras. Consumidores também enviaram relatos ao VC no G1.

No início da tarde, a E-Bit, empresa que reúne informações do comércio eletrônico, informou que o faturamento das lojas do comércio virtual durante a edição da “Black Friday” de 2013 já é o dobro da receita do ano passado.

“Black Fraude”
No ano passado, o evento ganhou o apelido de “Black Fraude” e o slogan-piada “a metade do dobro” depois de suspeitas de que alguns varejistas teriam inflado os preços para forjar descontos maiores. Também houve relatos de vitrines virtuais fora do ar e dificuldades para finalizar compras. O episódio resultou na notificação de grandes companhias pela Fundação Procon-SP.

Na tentativa de evitar o desgaste que marcou a terceira edição do evento, a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, em conjunto com o portal Busca Descontos – que organiza o evento no Brasil –, criou um código de ética. As lojas virtuais que aderirem ao texto se comprometem a anunciar apenas ofertas reais na ação. Caso a empresa não cumpra o acordo, poderá sofrer suspensões.

As ofertas das lojas que aderiram ao código de ética devem ser identificadas com o “Selo Black Friday Legal”, que indica a credibilidade das promoções.

O Procon-SP e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) também se reuniram para traçar estratégias que evitem que os transtornos ocorridos na edição de 2012 se repitam, afetando a credibilidade do setor e prejudicando os consumidores.

Outra iniciativa para proteger o consumidor partiu da Serasa Experian, que vai permitir que os consumidores consultem gratuitamente o CNPJ de uma empresa com a qual pretendem fechar negócio. A pesquisa gratuita estará disponível entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro.

De acordo com a companhia, o “VocêConsulta Empresas” fornece informações sobre a situação do CNPJ da empresa, razão social, ocorrência de protestos, cheques sem fundo, ações judiciais, endereço, falências e a existência legal da companhia consultada.

O cliente deve acessar o portal do consumidor da Serasa (clique aqui para ser direcionado) e digitar o CNPJ da empresa que quer consultar. A Serasa Experian orienta que é possível localizar o CNPJ no rodapé do site de cada empresa ou nas seções “quem somos” ou “fale conosco”.

(G1 SP)