Foto: Associated Press – IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA

Membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) estão presentes em 22 estados do Brasil. No Ceará, existem 120 integrantes da maior facção criminosa do país, sendo 69 presos e 51 soltos. O levantamento foi realizado pelo Ministério Público de São Paulo.

A principal atividade desenvolvida pela facção é tráfico de drogas. Chamado de Progresso, prevê ações no atacado e no varejo. No último, a facção reunia centenas de pontos de venda espalhados pelo país.

 

PCC NO BRASIL

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil no Ceará, Andrade Júnior, a investigação para identificar e prender os membros do grupo é feita de forma sigilosa. “É um trabalho realizado a nível nacional, em que as inteligências de todas as polícias trocam informações a fim de fazer o mapeamento da facção”, explica.

No estado, os setores responsáveis são a Coordenadoria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSPDS) e o Departamento de Inteligência da Polícia Civil. “Mas não podemos divulgar nem os nomes, nem onde estão presos. É tudo feito em segredo para que tenhamos sucesso na obtenção das informações”, afirma.

Violência em Fortaleza

De acordo com o delegado-geral, o principal crime cometido pelos membros do grupo no Ceará é formação de quadrilha para assaltar instituições financeiras. “O PCCtrabalha dentro da macrocriminalidade [conjunto de crimes mais graves, em grande escala], por isso não podemos relacionar a presença dos membros da facção com os assaltos ‘de pequeno porte’ registrados nas ruas de Fortaleza”, assegura.

Brasil

O levantamento foi realizado pelo Ministério Público de São Paulo e divulgado no jornal Folha de São Paulo. Segundo a apuração do MPE, a facção tem cerca de 11.400 membros, sendo 7,8 mil em São Paulo, dos quais 6 mil presos.

A cúpula do PCC é constituída por oito pessoas: Marco Willians Herbas Camacho (Marcola); Abel Pacheco de Andrade (“Vida Loka”); Rogério Jeremias de Simone (“Gegê do Mangue”); Roberto Soriano (“Tiriça”); Daniel Vinícius Canônico (“Cego”); Fabiano Alves de Sousa (“Biano”); Edilson Borges Nogueira (“Birosca”) e Júlio César Guedes de Moraes (“Julinho Carambola”).

Conforme o Ministério Público de São Paulo, o PCC ordena assassinatos, encomenda armas e toneladas de cocaína e maconha. Há planos de resgate de presos e de atentados contra policiais militares e autoridades – interceptações telefônicas mostram que, pelo menos desde 2011, a facção planeja matar o governador Geraldo Alckmin.

Faturamento

Criada em 1993, atualmente a facção domina 90% dos presídios em São Paulo. Fatura cerca de R$ 8 milhões por mês com o tráfico de drogas e outros R$ 2 milhões com sua loteria e com as contribuições feitas por integrantes – o faturamento anual de R$ 120 milhões a colocaria entre as 1.150 maiores empresas do país, segundo o volume de vendas. Esse número não inclui os negócios particulares dos integrantes, o que pode fazer o total arrecadado por criminosos dobrar.

O Tribuna do Ceará entrou em contato com o Ministério Público do Estado. O órgão informou, por meio de nota, que todos os elementos de prova foram produzidos a partir de autorização e controle do Judiciário e que os processos tramitam em segredo de justiça”.

(Roberta Tavares, Tribuna do Ceará)

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