A Base Aérea de Fortaleza (BAFZ) passa por um gradativo processo de enxugamento. O 1º Esquadrão do 5º Grupo de Aviação (1/5 GAv), o Esquadrão Rumba, que prepara pilotos para comandar aviões Bandeirantes, pode ser transferido para Natal. O projeto de deslocamento do grupo, iniciado em 2008, foi, mais uma vez, acionado. Houve um pedido para que o estudo fosse atualizado, sem motivo específico, como informa o Comandante interino da Base Aérea de Fortaleza, Paulo Servo Costa Filho.

Contudo, a hipótese da transferência ainda será submetida ao Comando da Aeronáutica, da Força Aérea Brasileira (FAB). “Não recebemos nenhum comunicado”, diz. Mas, mesmo com a concretização do deslocamento do 1/5, a base vai continuar com o 5º Esquadrão do 1º Grupo de Comunicações e Controle (5/1 GCC) – responsável por levar condições de controle ao espaço aéreo – e com a Unidade de Controle do Tráfego Aéreo.

De acordo com o ex-integrante da Força Aérea Brasileira no Esquadrão de Comando, Carlos Célio de Souza, Fortaleza vai perder todos os aviões e esquadrões, caso o 1/5 seja deslocado. “O sonho dos pilotos de passarem pelo ninho das águias – como era conhecida a unidade de Fortaleza, a mais importante base de treinamento – vai se esvair”, lamenta.

Em 2001, já houve a transferência do 1º Esquadrão do 4º Grupo de Aviação (1/4 GAv), que passou 54 anos em terras cearenses. No lugar onde funcionava o 1/4 GAv foram instalados galpões de cargas da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). O também chamado Esquadrão Pacau era o único grupo de formação de líderes de esquadrilha de caça (elite da aviação militar). Um dos fatores da retirada foi a segurança do Aeroporto Pinto Martins.

Início

O esvaziamento da Aeronáutica começou no governo do ex-presidente da República Fernando Collor, quando houve redução das horas de voo em 20%. Em Fortaleza, alguns aviões foram retirados. Os dois últimos exemplares do Fairchild PT – 19 cedidos para a Força Aérea do Paraguai, na década de 1960. Já o bombarbeiro médio B-25 Mitchell, o P-47 Thunderbolt – usado da 2ª Guerra Mundial -, o T-33 Lockheed e o F-80 saíram da Capital, a partir dessa época.

“Desde a partida do 1/4 aconteceu um vácuo. Hoje, a BAFZ só forma pilotos de patrulha e de carga. Imagine se o 1/5 sair também”, comenta Carlos Célio. Ele destaca que, embora poucas pessoas façam parte do Esquadrão, vai haver impacto na vida civil.

Outro problema é que a Base Aérea de Fortaleza sofreu um corte orçamentário. Na verdade, a redução aconteceu em todas as unidades brasileiras de comando da Aeronáutica, no valor de R$ 919 milhões, atingindo o Ministério da Defesa. Por conta do corte, o Comando da Capital adotou medidas de economia, tais como o desligamento do ar condicionado, em boa parte do dia.

Entretanto, como informa o comandante, as atividades da unidade não foram afetadas. “Atuamos nos grandes eventos, como a Copa das Confederações, na parte de defesa do espaço aéreo. A BAFZ também serviu de desembarque para as autoridades”. Na Copa do Mundo, haverá o uso da base para recepção dos chefes de Estado e ações de controle do espaço aéreo. Para essa última atuação, o Comando dispõe de radar móvel.

Não há economia de água, a não ser a voltada para a ativação dos poços. Nem mesmo o uso do fardamento está limitado. O que aconteceu foi a mudança de horário da Educação Física, que passou para o período da tarde. “Foi autorizado que os soldados pudessem sair da unidade com a farda dos exercícios”, explica Costa Filho.

A base conta com um hospital que atende o público da Força Aérea, ativos e inativos. São 8 mil prontuários ativos. E a capela realiza missas às quartas-feiras e aos domingos, abertas para a comunidade. São 327 residências em funcionamento em dois quilômetros de perímetro.

A Base Aérea de Fortaleza já funcionou como unidade de instrução de caça, passando a formar a maioria dos pilotos de caça da FAB. Em 2008, o comando abrigou o maior exercício de combate aéreo combinado da América do Sul, a Operação Cruzeiro do Sul (Cruzex), que simulou exercícios de guerra.

FIQUE POR DENTRO

História se confunde com a da FAB

A Base Aérea de Fortaleza começou como 6º Regimento de Aviação Militar. Antes, existia a Unidade e Serviços Aéreos do Exército. Àquela época, havia o Quartel Destacamento de Aviação do Exército. Em 1939, tornou-se o 6º Corpo de Base. Com a criação do Ministério da Aeronáutica, em 1941, a unidade ficou subordinada ao órgão, tendo como missão assegurar recursos técnicos e administrativos para manutenção. A história da unidade l se confunde com a da Força Aérea Brasileira (FAB), com 75 anos de atuação. As atividades de Fortaleza começaram com o 1º Esquadrão do 4º Grupo de Aviação. 

(LINA MOSCOSO – REPÓRTER, via Diário do Nordeste)

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