Mais uma vez, a direção do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) frustrou as expectativas do funcionalismo durante rodada de negociação realizada no centro administrativo do Passaré, na segunda-feira, 9/9, em Fortaleza. O Banco limitou-se a apresentar alguns avanços da mesa permanente, entretanto sem apresentar nada de concreto relativo às reivindicações da pauta específica dos funcionários.

O diretor administrativo e de TI, Nelson Antônio de Sousa, e o superintendente de Desenvolvimento Humano, Alan Teixeira, ressaltaram como avanços da mesa a suspensão do empréstimo de férias e do CDC; a resolução dos casos pendentes oriundos da reestruturação realizada nas centrais operacionais; a convocação de 210 concursados, inclusive de áreas técnicas; a abertura de novas agências e previsão de mais 78 inauguradas até o final de 2013; a desmobilização de terceirizados; a disponibilidade do Banco em negociar passivos trabalhistas; a definição da comissão eleitoral para eleição do representante dos trabalhadores no Conselho Administrativo nos moldes do BB e, pela primeira vez, o BNB falou oficialmente sobre a existência de um Plano de Incentivo ao Desligamento, que se encontra em análise pelo Ministério da Fazenda e DEST. O Banco negou ainda o asseguramento de função de 12 meses, reivindicado pela Contraf-CUT, no que se refere à reestruturação realizada recentemente pelo BNB.

“Nós trabalhadores reconhecemos os avanços conquistados na mesa permanente com o BNB e consideramos positivas essas questões apontadas pelo Banco, pois demonstram que nossas justas reivindicações vêm sendo atendidas. Entretanto, diante do momento que vivemos, decisivo, da campanha salarial, esperamos pelo menos que o Banco apresente algo relativo à nossa pauta, a exemplo: PCR Já, PLR Social de 5%, implementação imediata do ponto eletrônico, contratação de todo o banco de reserva do concurso que expira no meio do ano que vem, fim das terceirizações, entre outras demandas que já foram discutidas e apresentadas, ponto a ponto, em negociações anteriores”, avalia o vice-presidente da Contraf-CUT, Carlos Souza.

A representação dos funcionários cobrou respostas para a revisão do PCR, o aumento de 3% para 5% no pagamento linear da PLR Social, as questões relativas à CAPEF e CAMED, a implementação real do ponto eletrônico, emprego, entre outras.

“Nós entendemos que a revisão do PCR e a PLR Social são formas de incentivar e de reconhecer o trabalho e o esforço dos funcionários para fortalecer este Banco cada vez mais. A situação da CAPEF e da CAMED também muito nos preocupa e nada mais justo que tenhamos representantes nessas diretorias, como forma de proteger o trabalhador. Com relação ao ponto eletrônico, precisamos implementá-lo de fato, como forma de coibir a jornada irregular, que são denúncias que o Sindicato recebe praticamente todos os dias. Além disso, a contratação de mais funcionários para amenizar o caos nas agências também é uma reivindicação simples e justa. Esperávamos, pelo menos, propostas para esses casos mais urgentes. Mas, nem isso veio”, lamenta Tomaz de Aquino, coordenador da Comissão Nacional dos Funcionários do BNB.

Revisão do PCR – Tomaz cobrou que fosse retomada a comissão paritária para discutir a revisão do PCR, informando que inclusive os trabalhadores já apresentaram seus nomes à comissão. Segundo ele, esse é um trabalho que já está encaminhado e não vê porque protelar tanto a instalação da comissão.

Emprego – A representação dos trabalhadores, Contraf-CUT e CNFBNB, entendem que é positiva toda e qualquer convocação de concursados, principalmente no BNB que está num processo louvável de desmobilização de terceirizados. No entanto, esse número de 210 convocados ainda é insuficiente para atender à demanda das agências.

As entidades reivindicaram novamente que, diante da impossibilidade legal de se prorrogar o concurso vigente, que sejam convocados o maior número possível de concursados até a sua expiração, em meados de 2014.

“Segundo nos informou o próprio Banco, 78 novas agências devem ser inauguradas até o final do ano. Se são necessários oito funcionários no mínimo por cada agência, nós calculamos que o BNB precisará de pelo menos mais 600 trabalhadores”, analisa Carlos Souza.

PLR Social – Os funcionários do BNB pleiteiam o aumento da PLR Social de 3% para 5%. “Considerando que o papel do Banco é tão importante para a sociedade, quanto o da Caixa Econômica Federal é incoerente que o BNB receba PLR Social inferior já que o patrão é o mesmo: o governo federal”, pondera o vice-presidente da Contraf-CUT. Hoje, os trabalhadores da CEF recebem 4% de PLR Social.

Previdência e Saúde – Os trabalhadores esperam uma solução urgente para o plano BD da Capef para que os funcionários possam se aposentar de forma digna. Quanto à Camed, uma das reivindicações é o fim da co-participação que onera o funcionalismo. Além disso, os bancários querem a criação de um plano de custeio, uma reivindicação antiga dos trabalhadores.

Mobilizar para conquistar – Como o Banco não atendeu a maioria das reivindicações dos trabalhadores, a Contraf –CUT orienta que os funcionários se mobilizem e participem ativamente das atividades dos sindicatos, fiquem atentos ao calendário de luta para construir uma grande campanha com força para arrancar as reivindicações dos trabalhadores.

(Sindicato dos Bancários do Ceará)