São Paulo – Foram encerrados os debates sobre remuneração da Campanha 2013. Nas reuniões realizadas na segunda e nesta terça-feira, dias 26 e 27 de agosto, o Comando Nacional dos Bancários reforçou, com uma série de dados, um quadro que tem de mudar: apesar das conquistas da categoria, os empregados dos bancos têm participação cada vez menor no lucro do setor.

A federação dos bancos (Fenaban) informou que levará todas as suas anotações aos diretores das instituições financeiras e apresentará proposta na tarde da quinta-feira dia 5. O Comando cobrou que essa mesa tenha proposta contemplando as reivindicações apresentadas pelos bancários nas três rodadas de negociação realizadas até agora: saúde, condições de trabalho e segurança; emprego e igualdade de oportunidades; remuneração.

> Veja como foram todas as negociações da Campanha

Na mesa desta terça-feira, foram debatidos temas como PLR (Participação nos Lucros e Resultados), remuneração variável, vales e auxílios.

PLR – Os trabalhadores voltaram a cobrar critérios mais claros para  a PLR. A regra atual não dá transparência e os bancários questionam.  O pagamento conquistado na Campanha de 2012, nos bancos privados, correspondeu a 90% do salário mais R$ 1.540, limitado a R$ 8.414,34. Após fazer o crédito, se o montante distribuído foi inferior a 5% do total do lucro líquido do banco, o valor individual teve de ser majorado até alcançar 2,2 salários, limitado a R$ 18.511,54, ou até que atinja os 5%.

“Nossa reivindicação (três salários mais R$ 5.553,15) amplia a transparência, a clareza e os trabalhadores podem controlar”, explica a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, lembrando que os dados apresentados pelo Comando deixaram claro que, embora o valor recebido pelos bancários cresça, o percentual do lucro distribuído está diminuindo. “Quando a PLR foi criada, em 1995, os bancários ficavam com algo em torno de 12% do lucro. O lucro cresceu ao longo dos últimos anos, mas não se manteve o nível de distribuição aos bancários e isso tem de mudar”, ressalta Juvandia, lembrando que os bancos usam recursos como o provisionamento para devedores duvidosos (PDD), para distribuir menos. “Deixamos claro que queremos distribuir parte maior do lucro para todos.”

Vales – Os bancários reforçaram a reivindicação de R$ 678 ao mês para os vales refeição, alimentação e a 13ª cesta (um salário mínimo nacional para cada), mas a Fenaban considera o valor “impossível” e ficou de checar juntos aos bancos os patamares que podem atingir. Eles acham que os vales só devem ter o reajuste que for pago aos salários e lembraram que os valores vêm sendo corrigidos com aumento real há bastante tempo, defendendo que nem essa correção deveria ter sido feita.

O Comando cobrou acabar com o tempo limite de pagamento de 180 dias do vale-alimentação para os afastados, que está sendo questionado inclusive pelo Ministério Público. “Esse limite é injusto e sem sentido”, afirma Juvandia.

Auxílio-creche/babá – A reivindicação de R$ 678 ao mês foi reforçada pelos bancários, afirmando ser pequeno o valor atual de R$ 306,21. A Fenaban destacou que é um auxílio, não tem objetivo de cobrir despesa e que é pago por filho. Ficaram de avaliar, mas informaram a pretensão de dar o mesmo reajuste que vier para os salários.

“Cobramos valor maior para que os pais possam ter segurança e tranquilidade ao sair para trabalhar e lembramos que o gasto também é por filho”, salienta Juvandia, destacando que o Brasil tem taxa de natalidade pequena, os bancários são público jovem ou muitos têm filhos mais velhos. “Ou seja, o impacto é pequeno para o banco, mas para o trabalhador é grande: a diferença entre o que recebem do banco e o que pagam acaba saindo do salário.”

Também foi reivindicado que a CCT estabeleça o direito para quem está em processo de adoção.

Auxílio-educação – Os bancários voltaram a cobrar o pagamento do auxílio para todos, lembrando que o único dos bancos grandes que não têm qualquer tipo de programa nesse sentido é o Bradesco. “Com o auxílio-educação ganham os dois lados: os bancários qualificados e os bancos com a qualificação de seus funcionários”, destaca Juvandia. A Fenaban voltou a afirmar que isso é gestão de cada empresa.

Férias – O Comando reivindicou que o adiantamento de férias possa ser devolvido em até dez parcelas. Para a Fenaban, não há dificuldade em discutir esse tema, desde que possam levar também o debate de fracionamento das férias. Os trabalhadores ressaltaram que a contrapartida não faz parte das reinvindicações da categoria.

Previdência complementar – Planos de previdência complementar é uma reivindicação que tem por objetivo melhorar a aposentadoria dos trabalhadores. O Comando propôs formar uma comissão paritária para definir como isso poderia ser feito e destacou que as consultas nas bases de cada sindicato apontam que essa reivindicação é importante. Para a Fenaban não tem acordo, porque cada banco pode ter o seu.

“Lembramos que eles vendem planos no mercado, mas muitos funcionários não os têm”, diz Juvandia. E o Comando criticou a gestão do lucro: olham bancário como consumidor para comprar o produto. “Os trabalhadores querem ter direito a uma complementação digna no futuro.”

Auxílio filhos em período escolar ou com deficiência – Para a Fenaban esse debate não prospera. Os trabalhadores reforçaram a reivindicação.

Gratificação semestral – A Fenaban se recusa a debater a gratificação semestral aos trabalhadores, alegando que desde que foi instituída a PLR, isso é contraditório, “não faz sentido ter os dois”. Os bancos informaram que querem acabar onde existe, mas o Comando reforçou a importância da reivindicação.

Cláudia Motta – Sindicato dos Bancários e Financiários de SP, Osasco e Região

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