Larry Rohter, NYT*

O ex-correspondente do New York Times no Brasil, Larry Rohter, escreveu sobre a estrela baiana Ivete Sangalo e sua turnê americana. Em artigo publicado na última sexta, 16, no NYT, destaca a importância de Ivete na música brasileira atual e se derrama em elogios. No título, “Ivete Sangalo, a Brazilian Belter, Extends Her Reach” (Ivete Sangalo, uma brasileira poderosa, estende seu alcance), levanta a bola da cantora. Leia em tradução de A TARDE:

“Se Ivete Sangalo fosse uma cantora americana, em vez da vocalista feminina mais popular no Brasil, poderia, sem dúvida, ser descrita como uma “poderosa”. No palco, é ousada, atrevida e barulhenta. Faz parte de uma linhagem que inclui Tina Turner, Janis Joplin e Bette Midler, e em seus discos ela tem, muitas vezes, escolhido músicas que lhe permitem performances emotivas e dramáticas.

É uma abordagem que funcionou esplendidamente para Sangalo, que no sábado estará se apresentando no Prudential Center, em Newark. Ela já vendeu mais de 15 milhões de discos como artista solo e é tida pela imprensa brasileira como a artista na ativa mais bem paga do país, ganhando até US$ 500 mil por show. Ivete tem 8,5 milhões de seguidores no Twitter e dirige sua própria empresa de produção.

“Ser capaz de entreter as pessoas é um triunfo, mas o engraçado é que eu nunca sonhei, quando criança, em ser uma cantora, nunca me olhei no espelho e brinquei de ser uma estrela pop”, diz Sangalo, 41 anos, em uma entrevista esta semana num hotel de Manhattan. “Eu brincava de ser atriz e isso durou até que eu comecei a ir ao Carnaval, ainda adolescente, e ouvi toda aquela música alta, alegre e estridente dos caminhões. Então, disse a mim mesma: Não há nada que prefira fazer do que isso”.

Sangalo (pronuncia-se San-gahl-oh) é a principal expoente de um estilo alegre e muitas vezes estridente conhecido como axé music, que combina uma variedade de influências brasileiras e estrangeiras em uma mistura de alta octanagem, que lembra o que é ouvido no carnaval. Samba e reggae são as fontes mais óbvias, mas rock, soul e gêneros do Caribe, como salsa e merengue, assim como ritmos regionais locais, também entram no mix.

Sua enorme popularidade ilustra a diferença entre a percepção externa da música brasileira e da realidade lá. Enquanto cantores e compositores como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Marisa Monte ganham aplausos no exterior para seus vocais sutis e melodias e harmonias sofisticadas, as paradas de sucesso do Brasil são dominados por axé, baladas pop românticas e uma versão local da música country chamado sertaneja.

“Para o bem ou poara o mal, Ivete reflete o estado da música popular brasileira em um momento em que as pessoas estão comprando, com muito otimisto, música simples para dançar, com letras que são muito básicas”, explica Chris McGowan, co-autor do livro sobre a história da música pop “O som brasileiro”. “Ela é uma profissional consumada, com uma voz poderosa e controlada, que pode se destacar sobre a percussão e a polirritmia. Por outro lado, não há muita sutileza nela e não há um grande talento, é puro show business”.”

*Tradução de Marcos Venancio Machado

(Portal A Tarde)

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