Banco cancela empresa de descarte de documentos gerados em agências e trabalhadores são encarregados de rasgar papeis com informações de clientes e jogar em lixo coletado pelo serviço público 

#issomudaomundo é o tema utilizado pelo Itaú em sua mais recente campanha publicitária. Mas, dentro das agências, o que muda mesmo é a saúde dos funcionários, só que para pior. Falta condição de trabalho, sobra insegurança, cobrança por metas abusivas e assédio moral. E os bancários também precisam se adequar a novas regras internas que são prejudiciais, levando-se em consideração a falta de tempo e também o retrocesso em tecnologia para trabalhar.

Isso porque a “nova moda” imposta pela administração da instituição financeira – que teve no primeiro semestre lucro maior que o Produto Interno Bruto (PIB) de 33 países –, é fazer com que seus funcionários picotem documentos com dados de clientes na mão e descartem no lixo comum, sem ajuda de qualquer máquina que picote os papéis.

A empresa comunicou sobre a padronização do expurgo de documentos nas agências, que mudou em 1º de agosto. Os documentos descartados diariamente nos cestos de lixo situados nos caixas, na gerência comercial e na retaguarda da área operacional e os documentos expurgados periodicamente passaram a ser destruídos na própria agência, pelos bancários. Antes, uma empresa de coleta especializada realizava o serviço.

“Os trabalhadores que não conseguem tempo nem para tomar água ou ir ao banheiro, agora terão de se virar para picotar papéis gerados por um banco que se diz sustentável. O ideal seria manter a coleta pela empresa especializada e destinar esse lixo para reciclagem para fazer valer o discurso sobre sustentabilidade. A ação do banco desrespeita tanto meio ambiente quanto os trabalhadores. É mais uma ajudinha do Itaú para que o bancário desenvolva lesões por esforços repetitivos. Isso muda o mundo de quem?”, questiona a diretora do Sindicato  dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Márcia Basqueira.

Para a dirigente, o tempo para atendimento de clientes, por exemplo, também será prejudicado. Ela alerta que os bancários da área operacional já precisam autenticar dentro dos limites estabelecidos pelo banco, vender produtos, e agora terão de rasgar documentos do caixa, assim como na área comercial.

A eliminação dos documentos será monitorada pelas áreas de Controles Internos e Segurança do banco. “O banco não investirá nem sequer em trituradoras de papeis. E para o cliente, o processo é seguro? Documentos com informações pessoais serão descartadas em coleta pública de lixo.”

O Sindicato entrou em contato com o banco questionando todos esses pontos, no entanto, não houve retorno. A nova metodologia de descarte dos documentos foi comunicada internamente aos funcionários do Itaú.

(SEEB-SP)

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