O Nordeste é a região do Brasil onde a classe média mais cresceu nos últimos dez anos, quase o dobro do que no Sudeste, por exemplo. Os moradores da região melhoraram o poder aquisitivo e adquiriram novos hábitos de consumo.

De uma pequena mercearia a um dos maiores supermercados de um bairro popular de Fortaleza. Nos últimos dez anos, o empresário Carlos Alexandre Vasconcelos conseguiu multiplicar o faturamento do negócio, graças, principalmente, ao aumento da renda dos clientes. “São clientes C, D e E. Eles têm inserido mais produtos na sua cesta básica, incluindo alguns itens mais sofisticados, queijos especiais, vinhos especiais, requeijão”, conta.

Esse é o perfil da nova classe C, que nos últimos dez anos cresceu mais no Nordeste do que no restante do país e hoje representa 34% da população da região, atrás apenas do Sudeste, que representa 36%.

Os gastos das famílias ainda são voltados, principalmente, para itens básicos, como alimentação (28%) e habitação (32%), o que se repete em todo o país. Os consumidores nordestinos se destacam entre os brasileiros que planejam comprar imóvel (19,7%), automóvel (19,5%) e também itens domésticos como refrigerador (21,3%) e máquina de lavar (34,6%).

A tecnologia também está na lista compras. Depois dos notebooks e dos tablets, são os smartphones que mais devem se destacar em vendas no nordeste. Quatro de cada dez brasileiros que pretendem comprar este tipo de aparelho nos próximos meses estão na região.

“O que antes as pessoas enxergavam como sonho de consumo distante, hoje já está bem acessível”, afirma o gerente de marketing, Nelson Gurgel.

O setor de serviços também está lucrando. Os nordestinos representam 42% das pessoas que fazem planos de viajar de avião no país. Na lista de prioridades, está também fazer um curso profissionalizante ou superior. “É essa qualificação que faz com que as pessoas sejam menos dependentes dos programas sociais do governo”, garante o economista Flávio Ataliba.

(Aline Oliveira, de Fortaleza – Jornal Hoje)

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