Na liderança do ranking das demissões no setor financeiro, o Santander cortou no primeiro semestre deste ano 2.290 postos de trabalho, apesar de ter obtido no período um lucro gerencial da ordem de R$ 2,929 bilhões, representando 25% do lucro mundial da instituição.

Apenas no segundo trimestre, foram 1.782 vagas a menos. Com isso, o quadro que, em junho de 2012, era de 54.918 funcionários em junho de 2013 passou para 51.702, uma redução de 3.216 empregos nos últimos 12 meses.

Os cortes foram amplamente repudiados pelo movimento sindical em negociação, nesta sexta-feira 02/08 com a direção do Santander. “O banco que quer ser o melhor demite, precarizando as condições de trabalho dos seus funcionários e, consequentemente, o atendimento à população. Não é à toa que o Santander está, há meses, na liderança dos mais reclamados no Banco Central”, afirma Alberto Maranho, diretor de Bancos Privados da FETEC/CUT-SP.

Na negociação, o movimento sindical questionou sobre as bases da reestruturação atualmente em curso. O banco se limitou a apresentar informações referentes à alta direção, não apresentando propostas para a rede de agências. Para os representantes sindicais, esses dados são de relevância, por isso continuarão cobrando esclarecimentos sobre os cortes efetuados, uma vez que o se percebe é a ampla falta de pessoal.

Auxílio educação – Na rodada, o Santander apresentou os números referentes à concessão de bolsas de estudo. Das 2.500 estabelecidas em acordo aditivo para 2013, 2.412 já foram concedidas, restando apenas 88. Dentre as já concedidas, 1.300 são novas bolsas e 1.112 renovações.

Diante da atual limitação de concessões apenas para primeira graduação, o movimento sindical reafirmou pleito para que o Santander contemple também a pós-graduação e a segunda graduação.

Intercâmbio – Já há algum tempo, o movimento sindical vem requisitando informações sobre estrangeiros trabalhando para o Santander no Brasil. Na rodada desta sexta-feira, a instituição se comprometeu em apresentar esses números, bem como a quantidade de brasileiros trabalhando em unidades da empresa no exterior.

Call Center – Um importante avanço da rodada foi o compromisso assumido pelo Santander de produzir uma minuta regulando as condições de trabalho dos funcionários de Call Center, de forma a atender as reivindicações do movimento sindical, sobretudo, no que dizem respeito à inclusão das pausas dos empregados em suas respectivas escalas de trabalho.

Na oportunidade, o banco comunicou que já estão em construção novos prédios de Call Center (dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro), se comprometendo em agendar visitas para que o movimento sindical possa conhecer os estabelecimentos antes da inauguração.

Metas para o caixa – Há tempos o movimento sindical reivindica o fim das metas de vendas de produtos para os caixas nos bancos, item que novamente consta da minuta de reivindicações da categoria nesta Campanha Nacional 2013.

Recentemente, o Santander comunicou na rede interna aos gerentes gerais e de atendimento orientações sobre as atividades do caixa, nas quais deixa explícito: “Esses profissionais não podem estar sujeitos a metas individuais da venda de produtos bancários. E a avaliação deve ser baseada pelo atendimento”. Os sindicatos devem fiscalizar para que as orientações sejam cumpridas.

O movimento sindical aproveitou para denunciar a ocorrência de metas para aprendizes e estagiários. O banco apresentou instruções internas contrárias a esse procedimento. Deste modo, as chefias que descumprirem incorrerão em responsabilização administrativa. Os sindicatos também devem ficar atentos.

Homologações – Ao término da rodada, o movimento sindical reafirmou que todas as bases sindicais prosseguirão com a decisão de não homologar demissões feitas por terceirizados.

Segundo o banco, a prática vem ocorrendo em todo o Brasil, com exceção da capital paulista. “É um absurdo, pois o banco está se valendo de profissionais que desconhecem totalmente a realidade do ambiente de trabalho. Isso é mais uma evidência da falta de funcionários que vigora na instituição. Situação essa que vem sendo agravada ainda mais com o excesso de demissões”, critica o diretor da FETEC/CUT-SP. 

Lucimar Cruz Beraldo – FETEC-CUT/SP

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