Cláudio Lembo, Terra Magazine

É ingênuo imaginar que os partidos políticos governam. São meras marionetes de algo que não aparece.  Encontra-se, porém, em todos os espaços da sociedade. Absolutamente insensível.

Todos se voltam contra o aparente. O governante, pertencente às diversas agremiações, leva a culpa de tudo. Não pode, na maioria das vezes, agir. 

Encontra-se manietado por quem tudo pode. Domina os meios de comunicação. Regula os fluxos da vida social. Avança nas consciências. Altera os códigos de conduta. Manipula de acordo com sua vontade.

Quem é este novo leviatã? Este monstro que domina todos os movimentos da sociedade. Envolve todos os atores. Imobiliza as iniciativas individuais. Tolhe as ações coletivas que se coloquem contra seus desígnios.

Todos são – de uma maneira ou de outra – dominados por este novo e único dirigente da sociedade. Não é difícil se captar quem seja este leviatã dos tempos contemporâneos.

Claro, é o Poder Econômico. Em suas fontes centrais ou em sua imensa constelação é sempre ele quem dirige os acontecimentos políticos e sociais. É sempre ele que dá a última palavra.

Os mecanismos de controle do Poder Econômico, aqui e por toda a parte, mostram-se frágeis em mantê-lo em limites éticos e socialmente válidos. São bancos centrais que se submetem aos seus fiscalizados.

Comissões de valores mobiliários que chegam atrasadas no controle das grandes aventuras nas bolsas de valores. As superintendências de seguros mal aparelhadas para examinar os cálculos atuariais.

Um grande emaranhado de instituições que, ao invés, de proteger à cidadania levam caos por toda a parte. São empresas que quebram. Bancos que rompem parâmetros de tarifas.

Inescrupulosos avançam em uma cruzada sem precedentes em busca do mero ganho especulativo. Há situações vexatórias. Estas levam os observadores e vítimas ao desespero. À descrença.

Sempre se ouviu falar do Fundo Monetário Internacional – FMI – como o baluarte da defesa da integridade das moedas. Trincheira da rigidez financeira. Da moralidade. v

Assim é se lhe parece. A realidade que vem à tona, no entanto, é bem diferente. Um diretor-gerente do FMI, já acusado por estupro, é agora indiciado por proxenetismo.

Exatamente isto. Um dirigente internacional, acima de todos os governos, senhor de nossos destinos, é um vil explorador de lenocínio. Faz da prostituição um seu segundo emprego.

A figura de Strauss-Kahn, agora respondendo pelo crime de proxenetismo, pode – é bem possível – ser erguida como a imagem de determinadas personalidades do segmento econômico-financeiro.

Faltam alguns traços de sobriedade para conviver com os fluxos que mantêm os dutos da sociedade em atividade. São exploradores de seres humanos, tal como os proxenetas.

Estes, também, merecem as críticas dirigidas aos políticos – pecadores por excelência. Não os únicos, porém. É bom abrir os olhos para ver. A realidade é bem mais ampla.

Muitos Strauss-Kahan andam por ai. 

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