A diferença entre o salário médio inicial dos trabalhadores admitidos em relação aos desligados é cinco vezes maior nos bancos do que na economia brasileira como um todo. No país, segundo cálculos da LCA Consultores divulgados nesta segunda-feira 29 pelo jornal Valor Econômico, o salário médio de ingresso nas empresas foi em junho 7,3% menor que a remuneração média dos que saíram. No setor financeiro, essa diferença é de 36% no mesmo período. 

“Não bastassem os bancos terem os maiores lucros e a maior rentabilidade da economia, cobrando as maiores taxas de juros, de spread e tarifas do mundo, e de também serem os campeões de demissões, agora fica comprovado que o sistema financeiro usa a rotatividade para reduzir custos muito mais do que qualquer outro setor da economia”, critica Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

De acordo com o estudo da LCA Consultores feito com base nos dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, a diferença da remuneração média dos trabalhadores que entram e que saem das empresas era em maio último 10,1% na indústria, 5,1% na construção, 5,9% no comércio e 4,8% no setor de serviços.

Confira aqui a reportagem do Valor Econômico publicada nesta segunda-feira 29.

Bancos cortam empregos e concentram renda

Já a 18ª Pesquisa de Emprego Bancário que a Contraf-CUT e o Dieese divulgaram na quinta-feira 25, revelando que os bancos privados fecharam quase cinco mil postos de trabalho no primeiro semestre de 2013, mostra também que os trabalhadores que entram no sistema financeiro recebem remuneração 36% inferior à dos que saem. O salário médio dos admitidos pelos bancos foi de R$ 2.896,07, contra salário médio de R$ 4.523,65 dos desligados. 

Veja aqui a matéria sobre as demissões e achatamento salarial provocado pela rotatividade nos bancos.

“Isso explica por que, embora com muita mobilização os bancários tenham conquistado 16,2% de aumento real no salário e 35,6% de ganho real no piso salarial desde 2004, a média salarial da categoria diminuiu neste período. Esse é o mais perverso mecanismo de concentração de renda, num país que faz um grande esforço para se tornar menos injusto”, denuncia Carlos Cordeiro.

Defesa do emprego e contra a rotavidade

O fim das demissões, mais contratações e o combate à rotatividade estão entre os principais eixos da pauta de reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários deste ano, que será entregue pelo Comando Nacional à Fenaban nesta terça-feira 30.

Leia mais aqui sobre as reivindicações dos bancários para a Campanha Nacional 2013. 

E ao mesmo tempo que enxuga a folha de pagamentos empregando o mecanismo da rotatividade, os bancos engordam a remuneração de seus diretores executivos. 

Segundo levantamento do Dieese com base em dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cada diretor do Itaú ganhou, em média, R$ 9,05 milhões em 2012, ou 234,27 vezes mais que um funcionário recebe com o piso de R$ 38,64 mil no ano. Os diretores do Santander receberam R$ 5,63 milhões (145,67 vezes o piso) e os do Bradesco embolsaram R$ 5,01 bilhões cada um (129,57 vezes o piso). 

“Trata-se de um modelo perverso, que escancara a falta de distribuição de renda no setor financeiro e que não pode continuar. Não é à toa que o Brasil é o 12º país com a maior concentração de renda do mundo”, denuncia Carlos Cordeiro.

Fonte: Contraf-CUT

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