Carlos Cavalcanti | Blog do Magno

Nas eleições de 2014, poucos estados terão a política local tão influenciada pelas negociações nacionais quanto o Ceará. Comandante do terceiro maior eleitorado do Nordeste, o governador Cid Gomes (PSB) tem reiterado o seu desejo de apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), apesar de o presidente de seu partido, o governador Eduardo Campos (PSB), estar se preparando para a disputa nacional.

As declarações, no entanto, também têm outra face. De acordo com pesquisa Ibope/CNI divulgada na última semana, Dilma e o ex-presidente Lula (PT) são os políticos com mais capacidade de influenciar o voto dos cearenses. Como Cid pretende uma tacada de risco para eleger seu sucessor – ele não tem ainda um candidato que figure entre os favoritos -, o apoio dos petistas é fundamental.

Isso, no entanto, bate de frente com as pretensões do senador Eunício Oliveira (PMDB), que, desde 2006, integra, ao lado do PT, a aliança que elegeu Cid duas vezes. Eunício é o segundo colocado nas pesquisas, atrás apenas do ex-governador Tasso Jereissatti (PSDB), que assegura que não será candidato.

Em conversas reservadas, Eunício tem dito que não desistirá da disputa, mesmo que tenha de romper com o PT e com Cid, inclusive em nível federal. O senador, no entanto, evita falar publicamente sobre a possibilidade de racha. “Meu desejo é de preservação da aliança PT, PMDB e PSB, e não tomarei nenhuma decisão antes de conversar com meus aliados. O PMDB aceitará sentar-se à mesa.”
No meio da guerra está o líder do PT na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), que luta para ser candidato ao Senado.

Tasso Jereissatti, três vezes governador e nome mais popular da oposição no Ceará, trabalha para montar um palanque forte para Aécio Neves no estado. Tasso tem sido incentivado por Aécio a tentar voltar ao Senado, numa chapa que poderia tanto ter um novato ao governo como apoiar o único nome forte da oposição a Cid, o deputado estadual Heitor Férrer (PDT). Ou até mesmo apoiar Eunício, caso ele rompa com o PT.

“Nós estamos em um esforço pela candidatura do Aécio. Para isso, podemos tanto lançar um nome próprio quanto apoiar alguém que apoie a candidatura dele à Presidência [da República]”, diz Tasso.

Anúncios