A política de demissões e a alta rotatividade nos bancos privados estão achatando o salário dos bancários, apesar das campanhas vitoriosas da última década. Segundo o economista Nelson Karam, coordenador de educação sindical e diretor da Escola de Ciências do Trabalho do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a luta dos bancários rendeu 85,3%, de reajuste salarial desde 2004, valor 16,2% acima da inflação. No piso, a valorização foi ainda maior: 116,2% de aumento, 35,6% a mais que a inflação. “Apesar dos ganhos, é preciso observar que a remuneração média dos bancários hoje é menor que em 2000”, afirma. Há treze anos, o salário médio dos bancários era de R$ 4.961,77. Em 2011, último dado disponível, a remuneração média caiu levemente para R$ 4.743,59.
A estagnação do salário médio é causado pela política de rotatividade dos bancos, que demitem funcionários com maiores salários e contrata novos bancários com ganhos menores. “E o pior é que nos últimos anos o ritmo das contratações não está acompanhando o das demissões”, completa. Enquanto a remuneração média dos bancários segue estagnada, o lucro dos bancos cresceu espantosos 128% de 2002 para cá. A parte conquistada pelos funcionários nesta lucratividade também caiu. Em 2002, os bancários ficavam com 43% do lucro, enquanto os acionistas abocanhavam 34%. Em 2011, a parte dos funcionários caiu para 38%, enquanto a dos acionistas subiu para 40%.
“Hoje, um executivo da diretoria do Itaú ganha 234,27 vezes mais que um funcionário recebe com o piso. No Santander, o executivo ganha 145,67 vezes o piso. E esta desvalorização dos bancários é inversamente proporcional ao aumento da carga de trabalho nos bancos”, disse.
Avanço das terceirizações
Apesar do crescimento no saldo do emprego do setor bancário nos últimos dez anos, tem aumentado o número de trabalhadores terceirizados, em função da ampliação dos correspondentes bancários. Outro dado que preocupa a categoria é que, apesar do saldo médio do emprego ter crescido 24% de 2000 a 2011, nos últimos meses, os números revelam uma considerável retração. Os dados foram apresentados pelo economista Nelson Karan.
Em 2003, havia pouco mais de 36 mil trabalhadores terceirizados nos bancos. Em 2012, o número saltou para mais de 332 mil contratados. Karan enfatiza que a situação poderá se agravar, caso seja aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4330, que escancara as terceirizações, inclusive em atividades-fins.
“A regulação das terceirizações proposta por este projeto não interessa à classe trabalhadora”, disse.

(Sindiato dos Bancários do Rio de Janeiro

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