A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou 11 ex-executivos e funcionários do antigo Banco do Estado do Paraná (Banestado), de um total de 28 acusados por atos ilegais na instituição financeira, em operações realizadas entre maio de 1996 e novembro de 1998. As multas somam R$ 2,9 milhões.

As maiores condenações foram atribuídas ao diretor de Operações do banco, Sérgio Elói Druszcz, e ao diretor do Banestado Leasing, Arlei Pinto de Lara – sobrinho do ex-deputado estadual Algaci Túlio, do PMDB -, multados em R$ 500 mil cada. Além deles, foram condenados o diretor-presidente do banco, Manoel Garcia Cid (R$ 300 mil), e os executivos Oswaldo Batata, Nilton Mariano, Alaor Pereira, Elio Panato, Aroldo Carneiro, Aldo de Almeida Junior, Alfredo Sadi Prestes e Wilson Mugnaini (R$ 200 mil cada).

A investigação na CVM foi aberta em 2000 a partir de denúncia apresentada por Marisa Stedile, conselheira de administração do Banestado, que apontou indícios de irregularidades na administração. As denúncias se dividiam em três grupos de operações: Algaci, DM e Xingu. A CVM condenou os acusados apenas no primeiro caso, por considerar que as operações para as construtoras DM e Xingu eram operações ordinárias.

Em relações às chamadas “Operações Algaci” a CVM considerou que os diretores violaram o dever de diligência da Lei das S.A., além de praticar desvio de poder e ato de liberalidade às custas da companhia. O caso envolve o favorecimento de quatro empresas ligadas ao radialista e então deputado estadual Algaci Túlio, por meio da liquidação irregular de dívidas com descontos excessivos e uso de precatórios do Estado do Paraná.

O problema envolveu 17 operações de crédito, somando R$ 3,3 milhões (a valores de 1998). Segundo a CVM, as operações foram negociadas pela Casa Civil do Estado do Paraná e o Banestado, apesar de as empresas não terem condições de honrar as obrigações assumidas. O objetivo era o financiamento de campanha política de Algaci.

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