Movimento e Instituição

João Guilherme Vargas Netto, no Repórter Sindical

Na vida política de uma sociedade há sempre uma tensão entre os movimentos e as instituições, assim como há uma contradição entre mercado e urna no capitalismo.

Na semana passada no Brasil, um movimento sem nome tomou conta das ruas e contestou de maneira espontânea, vibrante, indisciplinada e poderosa algumas das instituições consagradas, embora fizesse apelo ao Estado provedor e se desenvolvesse sob a égide da mais poderosa das instituições – a Constituição de 1988.

Esta semana corrente estamos vendo a busca de um reequilíbrio entre o movimento (e suas aspirações manifestadas em palavras de ordem, faixas, bandeiras e cantorias) e as instituições. Agora, o essencial é adequar o institucional aos clamores do movimento, levando-o ao atendimento das exigências dos jovens e das ruas e afastando-o dos procedimentos frios do mercado, que sempre quer tirar as castanhas do fogo com mão de gato e, sobretudo, dos inimigos da democracia.

Além das propostas e encaminhamentos dos agentes políticos que marcam essa nova etapa de reinstitucionalização, quero destacar desta fase a reunião das Centrais Sindicais e suas resoluções.

Reunidas em São Paulo, todas as Centrais Sindicais existentes (não apenas as reconhecidas por lei), o MST e a UNE, resolveram, por unanimidade, apesar das diferenças entre as diversas explicações dos acontecimentos, adotar um conjunto de reivindicações e um cronograma de lutas capaz de colocar a pauta trabalhista no centro das aspirações do movimento das ruas e orientar o seu encaminhamento institucional.

Preparando-se para reunião com a presidente da República, decidiram insistir com ela na retomada de um diálogo permanente entre os poderes da República e os poderes sindicais e exigir medidas que garantam os direitos e ampliem as conquistas dos trabalhadores – a pauta trabalhista, além de um curso produtivista e avançado para a economia.

As Centrais Sindicais unidas e os movimentos sociais reforçarão agora as pautas da Conclat do Pacaembu e da 7ª Marcha do dia 6 de março, com o DIA NACIONAL DE LUTA PELA DEMOCRACIA E PELOS DIREITOS DOS TRABALHADORES, com greves, manifestações e mobilizações no dia 11 de julho. Têm experiência acumulada para tanto.

E, desde já, preparam a 8ª Marcha a Brasília, no início de agosto, quando da retomada dos trabalhos legislativos.

Nesta etapa atual da luta em que as instituições sindicais reforçam o movimento, quem tiver mais garrafinhas para trocar se fará ouvir com mais facilidade.

João Guilherme Vargas Netto é membro do corpo técnico Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores

Via http://www.viomundo.com.br/