“Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!”. Essa era a música cantada pelo magistrado Federal Silvio Mota, de 68 anos, no momento em que encarou a polícia durante manifestação que aconteceu na tarde da última quinta-feira (27), durante o jogo de Espanha x Itália, pela semifinal da Copa das Confederações.
 
O jogo acontecia dentro da Arena Castelão com tranquilidade, nos arredores do estádio uma imagem, que não foi a da vitória da Fúria, entrou na história dos cearenses e daquele 27 de junho. Enquanto jovens estava nas ruas pedindo por um país mais justo, Silvio Mota, torturado durante a ditadura e ex-preso político, se juntou aos manifestantes e foi parar na capa do jornal“The New York Time”.
 
“Levantei-me indignado e avancei contra os escudos da barreira, de cara limpa, com a camisa contra a PEC 37. Os PMs ficaram confusos, mas logo avançou um oficial superprotegido por escudos e asseclas que mal podia falar.” Explicou o magistrado.
 
Silvio e a esposa, também de 68 anos, participaram da manifestação quando a companheira foi atingida por gás lacrimogêneo. Segundo o magistrado, esse fato foi o que o levou até aos policiais para dizer que o que estavam fazendo era um absurdo. 
 
“Estávamos longe da barreira, com vários trabalhadores, professores universitários, profissionais da saúde, e até militantes das Pastorais da Igreja Católica. Minha esposa foi levada por jovens manifestantes para longe, a fim de ser tratada dos efeitos do gás” acrescentou.
 
Em depoimento nas redes sociais, Silvio afirmou que ao tentar se aproximar da barreira policial, eles foram logo dizendo que o Juiz aposentado não podia fazer aquilo, no entanto, Silvio respondeu que estava o seu direito de manifestar-me sem armas.
 
“Quando me aproximei dos policiais, eles disseram que não podia fazer aquilo porque eu era um magistrado vitalício e não estava cometendo nenhum crime. Exibi-lhe minha carteira funcional, e ele disse que não ia me prender, mas que ia prender a um senhor militante do MST”. frisou.
 
 
O casal saiu da manifestação por volta das 14 horas, pois Silvio é diabético e precisa ir se alimentar para evitar uma hipoglicemia. 
 
“Por que avancei? Em primeiro lugar, porque a polícia não se manteve nas barreiras e avançou para acabar com a manifestação. Uma manifestação pacífica, de cara limpa, em que tremulavam bandeiras dos movimentos sociais e até de partidos políticos. Não é verdade que os manifestantes provocaram o enfrentamento”. Finalizou. 

(Portal CNews)